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Full text of "Únitas."

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LIB RARY OF PRINCETO N 

NOV 1 0 2004 

THEOLOGICAL SEMINARY 


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NESTE NÚMERO 

Pág. 


Ressentimentos — Miguel Rizzo Jr 3 

Notas e Comentários — J. Goulart 9 

Enquanto eu meditava: o sofrimento — L. B 13 

Diretriz Evangélica: 

Conversa pessoal com Deus — John B. Coburn 29 

Estudos Bíblicos: 

“Perdoa as nossas dívidas” — Adauto A. Dourado .... 33 

Caim — Rubens Lopes 40 

Flagrantes do mundo religioso — W. J. Goldsmith 44 

Certeza 47 

Como tornar-se cristão? 49 

Livros 54 

Guarda bem o teu coração 59 


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UNÍTAS 


órgão Oficial do Instituto de Cultura Religiosa 


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Diretor — MIGUEL RIZZO JR. 
Redator — LAURO BRETONES 

Colaboradores permanentes: 


Jorge Goulart, Adauto Araújo Dourado, W. J. Goldsmiíh, Camilo 
Ashcar, Oscar Arruda, Alceu Maynard Araújo, Odilon Nogueira 
de Matos, Mário Barreto França e José Borges dos Santos Jr. 


Assinatura anual Cr$ 100,00 

Número avulso Cr| 10,00 


Endereço: 

Rua Barão de Tatuí, 528 — Caixa Postal 7.203 — Tel. 51-7499 
SÃO PAULO — Brasil 


EDITORIAL 


CAMPANHA DE SÓCIOS E ASSINANTES 

Está sendo desenvolvida intensa campanha de novos sócios e 
assinantes aqui em S. Paulo. O Secretário-Executivo, Rev. Miguel 
Rizzo Jr. está visitando várias igrejas acompanhado de elementos 
da Diretoria cio ICR. Precisamos, urgentemente, da ajuda de todos 
os que estão diretameníe interessados nesta obra. E’ preciso esten- 
der a influência da literatura que está sendo produzida, como tam- 
bém a desta revista. Nossos leitores podem ajudar-nos nisso. Como? 
Angariando novos sócios para o ICR. Ou angariando novos assi- 
nantes da revista. Ou enviando, a título de evangelização, uma 
assinatura da revista a alguma pessoa que esteja interessada em 
conhecer melhor o Evangelho que nós anunciamos. Participe, tam- 
bém, dêsse esforço. 

FOLHETOS 

Já foram publicados três folhetos de uma série de dez. São 
folhetos de evangelização. Bem impressos, apresentáveis, escritos 
pelo Rev. Miguel Rizzo especialmente para a grande campanha 
que o ICR está promovendo. Nossos leitores podem solicitar cópias 
dêsses folhetos para estudá-los e depois oferecê-los a pessoas ami- 
gas. Ou podem enviar-nos uma lista de endereços de pessoas para 
as quais devamos remeter os folhetos regularmente. 

NOSSA OPORTUNIDADE 

Temos uma excelente oportunidade. Há um geral desencanto 
no coração do povo brasileiro. Parece que todos os processos têm 
fracassado. E as perspectivas para o país não são muito agradá- 
veis. Nós temos um plano para salvar o Brasil. Não é político, 
social, militar, ou demagógico. E’ o plano de Deus. Está no Evan- 
gelho de Cristo. Precisamos da ajuda de companheiros que acredi- 
tam na eficácia dêsse plano. Como? Ajudando-nos a pôr esta re- 
vista e a literatura que estamos produzindo, nas mãos dos respon- 
sáveis pelos destinos do Brasil, dos profissionais de tôdas as classes, 
dos educadores, e do povo em geral. Está na hora. A oportunidade 
é nossa. Aproveitemo-la. 



RESSENTIMENTOS 

MIGUEL RIZZO 

Quem estuda atentamente a doutrinação de Jesus, com- 
'parando-a com a de outros ensinadores pode estabelecer logo 
alguns contrastes. Eis alguns dêles: 

Todos os doutrinadores erraram. 

E’ fácil colecionar listas enormes de êrros graves que 
êles cometeram, alguns até ridículos. Jesus não erra. Há 
vinte séculos que seus ensinamentos têm sido estudados pe- 
las mentalidades ?nais cidtas do mundo e elas são unânimes 
em proclamar a excelência suprema da doutrina de Cristo. 
E ela tem ainda outro característico. Ei-lo: 

Quanto mais progridem as ciências que estudam a alma 
humana, mais subsídios elas nos oferecem para apreciar as 
profundezas da verdade cristã. Realmente, essa apreciação 
cresce à medida que as pesquisas dos sábios vão penetrando 
nos segredos da personalidade. 

Eis um caso típico. Jesus disse: “Bem-aventurados os pu- 
ros de coração”. Essa frase, durante séculos foi interpretada 
apenas como uma advertência contra os maus pensamentos, 
especialmente de natureza carnais, que tentam aninhar-se 
no coração e comprometer a conduta. 

Interpretadas assim, já tinham as palavras de Cristo 
muito valor. Mas atualmente o conteúdo delas vai-se alar- 
gando de modo impressionante. Elas não representam ape- 
nas um preceito religioso mo.s são de âmbito muitíssimo 
'maior. Vejamos como isso acontece. 

Há. uma ciência que se chama Higiêne Mental. Ela estu- 
da os fatores da personalidade procurando tirar de todos 


4 — 


ÚNITAS 


êles recursos que ajudem o homem a realizar os fins supre- 
mos da vida. 

Pois bem, essa nova ciência juntamente com a psicaná- 
lise e com as pesquisas que os especialistas denominam de 
psicologia profunda mostram como as máguas recalcadas e 
as intenções más comprometem a inteireza dos raciocínios 
e da conduta. 

O psicólogo americano J. Ralph, depois de analisar com 
minúcias os efeitos dos ressentimentos na personalidade, 
aconselha: não enterre na alma um sentimento vivo. Se êle 
não for aniquilado antes de ser enterrado, ficará na sub- 
consciência produzindo fenômenos que chegam a prejudicar 
a compacidade de apreciar a própria vida. Como estamos ven- 
do, nesse ponto a psicanálise lança muita luz sôbre as pala- 
vras de Cristo: um coração puro tem reflexos salutares em 
tôda a vida. 

Às vêzes aparecem nas conversações, esta frase: “fiquei 
cego de raiva” . O vocábulo cego é aí muito expressivo pois há 
muitas emoções capazes de obscurecer a capacidade que tem 
o homem de apreciar os fatos com segurança. Um coração 
puro nunca fica cego. Mas isso é comum em outros casos. 

Uma das críticas que se fazem de Straus, o homem que 
escreveu um livro intitulado — A VIDA DE CRISTO — é 
a de que, tendo êle tentado obter uma Cadeira numa Uni- 
versidade protestante, sem conseguir seu intento, ficou de 
tal modo ressentido que nunca mais pôde raciocinar serena- 
mente quando tratava de assuntos religiosos. Foi nesse es- 
tado desorientador que escreveu sua obra a respeito de Jesus. 
Que é que se poderia esperar de um trabalho produzido em 
tais circunstâncias? Um psicanalista que analise êsse caso, 
não tem dúvida alguma em afirmar que ressentimentos 
recalcados tornaram o famoso escritor incapaz de raciocinar 
com segurança. Por isso mesmo, a obra que escreveu fêz ruído 
momentâneo, mas como não tinha fundamentos seguros, 
perdeu logo sua influência nas classes pensantes. 

Outro é o de Gobineau. Era êle embaixador da França 
em nosso país. Um dia, numa festa de grande gala dirigiu 
expressões pouco dignas a uma senhora. O esposo que ali se 
achava castigou o insolente com uma bofetada no rosto. Isso 
produziu um ressentimento incurável. Mais tarde Gobineau 


Agosto de 19.")7 


escrevendo a respeito do Brasil só falou mal do país. Para 
êle somos uma rcça de mestiços degenerados. Daqui nada 
sairá que preste. Percebe-se logo que êsse escritor não foi 
capaz de raciocinar serenamenie. A mágua que lhe domina- 
va o coração obscureceu-lhe a inteligência. 

Mais um exemplo. Um professor estrangeiro veio para 
cá com 0 propósito de lecionar em um estabelecimento de 
ensino. A Diretoria dessa organização não lhe quis dar o 
lugar. Êle permaneceu aqui muitos anos. A instituição que 
0 rejeitou progrediu muito. Desenvolveu-se mais do que se 
supunha. Pois bem, aquêle homem nunca perdeu a oportuni- 
dade de criticar rudemente o colégio que não lhe deu o tão 
ambicionado lugar. Nunca reconheceu valor algum nessa 
instituição. 

Resumamos uma verdade que ressalta dêsses três exem- 
plos. E’ esta. Um ressentimento pode tirar do homem a ca- 
pacidade de raciocinar com segurança. Haverá dano maior 
do que êsse? 

Quem estuda os triunfos magníficos da ciência pode ter 
a impressão de que a inteligência humana seja inteiramente 
livre. Há mesmo quem afirme isso, com vanglória. Pois não 
é. Ela tem, realmente, muito valor mas é preciso reconhecer 
que os sentimentos desorientados a perturbam tirando-lhe 
a eficiência. A psicanálise fornece verdadeira multidão de 
casos que comprovam isso. 

Depois das afirmações que temos feito, já podemos per- 
ceber como é profundo o ensino do Mestre. O coração onde 
não há pureza, mas existem raízes de amargura, intenções 
funestas e propósitos perversos, fatalmente prejudicará a 
inteireza dos raciocínios. Por aí se prova como algumas 
ciências modernas ampliam o significado das palavras do 
Mestre. O trecho que estamos estudando não tem apenas 
como se poderá supor, significação religiosa. Seu ensino 
abrange campo muito mais vasto. 

Até agora temos falado a respeito da influência na 
mente. Citemos agora um caso muito mais complexo. E’ 
Stanley Jones, o famoso escritor, que o cita. Um cavalheiro 
minto educado entrou em um trem na índia e encontrando 
o leito inferior, que era seu, ocupado por um indiano, não 
reclamou coisa alguma e subiu para o leito de cima, na mes- 
ma cabine. 


tí — 


Ú N I T A S 


Dormiu com grande ressentimento. Quando acordou du- 
rante a noite, surpreendeu-se em luta corporal com o com- 
panheiro da cabine. A luta tornou-se tão violenta que por 
pouco o indiano não foi atirado para fora do trem. Só isso 
nõ.o aconteceu, porque o caxallieiro acordou. Pediu êle então 
mil desculpas ao indiano. E explicou-lhe que aquilo era. um 
fenômeno de sonambulismo. Mas o companheiro ficou tão 
horrorizado que tratou logo de mudar para outro carro. 

Aí está o caso em que um ressentimento enterrado no 
subconsciente não se limitou a perturbar a capacidade de 
raciocinar. Foi muito além, movimentando violentamente a 
própria vonio.de. 

E’ longo e variadíssimo o capítulo que trata das influên- 
cias que um mau sentimento ou as amarguras recalcadas 
podem ter em tôda a personalidade. Quando estudamos essa 
matéria e começam a passar-nos pelos olhos os casos em que 
os homens se diminuem muito porque não arrancam da alma 
as tendências más, percebemos como é profunda, como é 
ampla, como é perspicaz o. afirmativa do Mestre que diz: 
“Bem-aventurados os puros de coração”. Ninguém pode 
avalio.r todos os prejuizos que os impulsos maus, alojados no 
íntimo, produzem na conduta. 

Como estamos tento.não provar, quanto mais progridem 
os conhecimentos humanos, mais ficamos em condições de 
apreciar o que há de profundamente maravilhoso nos ensi- 
nos de Cristo. 

Façamos mais uma aplicação da lei psicológica que es- 
tamos estudando. O materialista Gustavo Le Bon, fala em 
dois tipos de lógica: a racional e a mística. Elogia a pri- 
meira e deprime a outra afirmando que nela a, influência 
dos sentimentos é muito acentuada. Por isso mesmo é falha. 
Para êle, raciocínios intercalados com sentimentos não têm 
muito valor. Firmando-se nessas afirmativas êsse escritor 
passa logo a menosprezar a religião apresentando-a como 
mero produto da lógica mística. 

Para poder argumentar, aceitemos a afirmativa dêsse 
escritor. Concordamos em que os sentimentos tenham in- 
fluência viva na formação da fé. Mas é preciso lembrar que 
essa concessão é uma espada de dois gumes. A descrença 
também pode basear-se não na lógica racional como 
apregoam certos incrédulos mas sim na lógica mística. Êsse 


Agosto dc 1957 


— 7 


fenômeno é até muitíssimo frequente. Do ponto de vista 
psicológico êle é fàcilmente explicável. Como? 

Nossas simpatias e antipatias exercem influência forte 
na capacidade de apreciar as coisas. E’ difícil fazer justiça 
às pessoas que provocam antipatias. Nesses casos só raciocina 
com segurança quem tenha a disciplina própria para afastar 
das suas concepções o elemento emocional. 

Êsse fato simples pode explicas a incredulidade de mui- 
tas pessoas. O ensino de Cristo exige pureza nos atos, nas 
palavras, e até nos pensamentos. Para as tendências morais 
de alguns indivíduos essa orientação é profundamente an- 
tipática. Êles a atacam, procuram ridicularizá-la e ficariam 
muito satisfeitos se a religião desaparecesse do mundo. Para 
êles ela é tão incômoda! 

Apliquemos, agora, a regra do materialista Lebon. Se 
os sentimentos influem na formação da fé, a descrença de 
alguns indivíduos não se baseará também nos sentimentos, 
ou melhor, nas predileções m,uito queridas que conservam na 
alma e que são visceralmente contrárias aos ideais religiosos? 
Não há dúvida sôbre isso. Não estamos dizendo que tôda a 
descrença tem essa origem, mas grande parte dela procede 
dessa incompatibilidade que há entre os impulsos desordena- 
dos do coração e os ideais supremos do bem. 

Ainda há outros reflexos provenientes de estados emo- 
cionais. Vejamos como êles afetam a saúde. A Associação 
Médica A.mericana afirma que a proporção de doenças pro- 
venientes de estados mentais eleva-se a 55%. Desde que se 
normalizem os estados mentais volta a saúde. 

Um dos órgãos que se torna particularmente afetado é 
o estômago. O especialista Dr. Slaughter afirma que muitas 
úlceras gástricas provêm de estados emocionais. E êle explica 
que geralmente a ira, por exemplo, e o rancor aumentam a 
secreção do suco gástrico altamente ácido. Isso altera as con- 
trações do estômago. Essa hipersecreção e hiperacidez têm 
consequências danosas para a saúde. Afirma ainda êsse es- 
pecialista que 85% dos casos de colites são produzidos por- 
essas anomalias que têm sua origem em estados mentais. 

Outro órgão particularmente afetado é o coração. O 
médico WiViam Menninger afirma: “Um têrço, possivelmen- 
te a metade daqueles que sofrem perturbações cardíacas. 


8 — 


ÚNIT AS 


nada tem de anormal no próprio coração.” Afirma ainda que 
cinquenta milhões de pessoas nos Estados Unidos têm sin- 
tomas de moléstias do coração embora seja êle normal. Em 
todos êsses casos o que existe é mêdo desordenado, rancor 
cu desajustamentos graves. Um soldado procurando o mé- 
dico assim se expressou: “Meu coração se agita como um 
frango seguro pelos pés”. Parecia tratar-se de um caso de- 
sesperador. O exame revelou que tôda essa agitação era pro- 
duzida por conflitos emocionais. 

Como estamos vendo, a psicologia, a história da hu- 
manidade e até a medicina concorrem com seus elementos 
para realçar a grande verdade que Jesus sintetizou nesta 
frase tão simples: “Bem-aventurados os puros de coração.” 
Um coração livre de más intenções, de ódio e de conflitos 
morais é realmente um grande bem. 

Poderiamos imaginar que para compreender as maravi- 
lhas da vida espiritual devemos possuir muito arguta a in- 
teligência capaz de concatenar silogismos e seguir minu- 
ciosamente demonstrações complexas da verdade. Êsse dom 
realmente é muito apreciável, mas não basta para discernir 
os valores da vida espiritual. Êsses, porque são de natureza 
moral, só podem ser bem apreciados por quem tenha no- 
breza de sentimento. O coração puro aprecia melhor do que 
a perspicácia da inteligência, as maravilhas da religião. Por 
isso mesmo é que algumas pessoas que não podem discorrer 
sôbre temas complicados de metafísica ou teologia, conse- 
guem, no entanto, cultivar eficazmente traços belíssimos 
da vida devocional. 




DIGNIDADE HUMANA 

Um professor norte-americano, conhecido pelas suas 
cínicas zombarias, dizia aos estudantes; “Astronomicamen- 
te considerado o homem quase nada vale”. A isso um pro- 
fessor da mesma universidade ridicularizou com esta obser- 
vação: “Astronomicamente considerado o homem é o as- 
trônomo” . 


J. Goulart 



Divórcio e desquiíe 

Muito recentemente alguns juizes do Rio e de S. Paulo ma- 
nifestaram as suas apreensões em face das estatísticas que de- 
monstram 0 acréscimo constante de ações de desquite, que já não 
são às centenas, mas aos milhares. Independentemente de suas 
convicções religiosas, um ou outro opinou no sentido de considerar 
0 divórcio um recurso legal superior ao desquite como meio de 
resguardar a sociedade dos riscos constantes de dissolução da 
família. 

O desquite é realmente um remédio pior do que a pi ópria doen- 
ça, porque cria situações insustentáveis e provoca arranjos que a 
sociedade vai tolerando, os quais, entretanto, estão minando os seus 
alicerces. 

O ensino de Jesus é claro sóbre o assunto, fazendo sentir a in- 
dissolubilidade dos laços matrimoniais, reconhecendo, porém, que 
êles podem ser rompidos pela infidelidade, o que reclamaria, ape- 
nas, uma declaração do fato. Seria, pois, admitido o divórcio, em 
um caso único, e, como julgam alguns intérpretes, por extensão, 
em casos correspondentes, como o abandono definitivo da família, 
enfermidades contagiosas, perversidade comprovada, etc. 

O receio que nos causa qualquer medida divorcista é o de tor- 
nar-se ela um pretexto ou uma válvula para o relaxamento dos 
costumes, à vista das fraudes ou abusos contra a lei. mesmo a 
mais restrita. 

Os sociólogos e moralistas são acordes, em que uma das causas 
predominantes dos desajustamentos matrimoniais decorre da falta 
de preparo dos nubentes. Falta de instrução sôbre os problemas do 
casamento, precipitação na escolha de esposos, falta das leis que 
não exigem certas medidas imprescindíveis ao êxito dos conjuges, 
interesses subalternos que levam os pais e responsáveis a promover 
casamentos inconvenientes sob todos os pontos de vista. Há muita 
incúria neste respeito. Já alguém disse que, ao passo que para se 
comprar uma casa, qualquer indivíduo encara todos os aspectos do 
negócio, muitos empreendem um casamento sem terem o menor 
conhecimento dos mais triviais requisitos para uma aventura ta- 
manha! Nem os pais, nem os próprios noivos. 


10 — 


ÚNIT AS 


Não há muita esperança de uma lei divorcista, no Brasil, nem 
sabemos se êste passo daria qualquer resultado benéfico. 

Uma coisa, porém, devemos e podemos fazer. E’ cuidar da ins- 
trução moral e religiosa dos nossos filhos, lembrando-lhes igual- 
mente certos aspectos eugênicos da vida, sem os quais nenhum 
consórcio poderá ser feliz. 

O esposo ideal 

Gustavo Corção acaba de escrever uma interessante e erudita 
série de estudos sôbre o divórcio. De acórdo com a sua formação 
católica, 0 ilustrado escritor é extremamente radical na sua con- 
denação do divórcio. Naturalmente êle não se demora a explicar 
os casos de anulação permitidos pela Igreja Católica, os quais apro- 
veitam geralmente aos interessados possuidores de grande recursos 
financeiros. Numa coisa, porém, o citado articulista tem tôda a 
razão. E’ quando considera os elementos formadores da família e 
demonstra a necessidade que têm a sociedade e as nações de cer- 
rarem aquela instituição de tôda a defesa e garantias, sem as 
quais todo o edifício moral da humanidade irá abaixo. 

À guisa de contribuição para os interessados na estabilidade 
cio lar, deixamos aqui registadas as qualidades que a experiência 
recomenda como necessárias na vida dos esposos. Um marido ideal 
deve possuir os seguintes requisitos: Deve ser capaz de sustentar 
decentemente a sua família, porque não pode haver paz e felici- 
dade, onde o lobo da fome ande sempre uivando à porta. Deve 
ser um homem que imponha respeito à sua mulher, porque mulher 
alguma aprecia um homem fraco, que ela possa manobrar com um 
dedo. Deve ser justo e liberal. Não deve nem tiranizar a sua esposa, 
nem permitir que ela o domine. Deve ser generoso para com ela, 
mas não permitir que ela seja extravagante ou desperdiçada. Não 
deve absorver-se de tal sorte nos negócios, que se esqueça de que 
o lar necessita de um chefe tanto quanto o escritório. Deve saber 
que é mais importante dar à esposa parte do seu tempo, do que 
dar-lhe jóias e automóveis. Deve lembrar-se de que é dever tanto 
do homem como da mulher fazer o lar feliz, de modo que não 
traga para casa somente coisas desagradáveis, mas também bom- 
humor e alegria. O bom marido se interessa pelos trabalhos da 
mulher. Deve discutir com ela os problemas do lar e contribuir a 
favor dela com a sua experiência e eficiência nos negócios. Deve 


Agosto de 1957 


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lembrar-se de que o trabalho da mulher é pesado e monótono, e 
amenizá-lo. dando-lhe tôda a distração possível. Deverá levá-la a 
lugares de diversões e íazer-lhe pequeninos agrados e surpresas. 
Deve tomar como regra não ideaiizar a mulher, isto é, julgá-la 
perfeita, mas louvá-la, quando ela fizer uma economia, quando 
apresentar um prato melhor e notar quando ela puzer um vestido 
novo ou apresentar um penteado diferente. Alguém observou que 
três elogios por dia evitam um divórcio. 

A família é um organismo social composta de vários membros, 
competindo a todos fazerem a sua parte. A espósa, naturalmente, 
terá de desempenhar um notável papel . . . 

A espósa ideal 

Vejamos o que compete à mulher como espósa. A verdadeira 
espósa será uma ajudadora do marido. Ela se interessará pelos 
seus planos e amenizará tôdas as suas dificuldades com a sua sim- 
patia. Procurará dirigir os negócios do lar tão economicamente 
que a família poderá viver dentro dos seus recursos e amealhará 
alguma coisa para o “dia mau”. O casamento é também uma so- 
ciedade, de modo que a mulher precisa contribuir com a sua parte 
para a prosperidade e felicidade da firma. 

Na família e na sociedade a missão ideal da mulher (mãe, irmã, 
espósa ou filha), é a de exercer uma influência moderadora sóbre 
0 homem, encorajando-o a prossegiur nas suas lutas. Milhões de 
mulheres procedem assim, enquanto outras são a perdição dos ho- 
mens. O professor Snowden diz; “Não é certo que muitos homens 
de negócios são arrastados à especulação e à fraude, porque nos seus 
lares uma devota do luxo anda sempre a exigir mais dinheiro? Um 
espírito ambicioso e egoista, dentro do lar, pode determinar ou 
eiaborar a ruina do marido”. 

Muitas mulheres adquirem o hábito de criticar em excesso o 
marido. Elas descobrem fàcilmente as falhas dêle e pretendem 
corrigí-lo. Algumas cometem o engano de esperar uma atenção 
exagerada do marido. A mulher que passou o dia todo sòzinha 
em casa, é natural que espere que o marido lhe conceda tôda a tarde. 

A mulher que deseja tornar-se uma boa espósa deve, desde 
solteira, considerar os deveres de dona de casa e da maternidade, 
não encarando a vida como um constante piquenique ou uma 
eterna lua-de-mel. Ninguém pode substituí-la naqueles deveres. 


12 — 


ÚNITAS 


Se ela os negligenciar, sofre ela mesma, sofrem os filhos, sofrerá 
a sociedade. 

As moças devem fazer um curso de “donas de casa”. Não 
apenas cozinhar e costurar, mas conhecer as leis de higiene, da 
saúde, a química dos alimentos, o cuidado das crianças, a elabo- 
ração do orçamento da família. A esposa precisa saber lidar com 
as contas da despesa diariamente, para que possa explicar ao mari- 
do onde o dinheiro está indo e também para ajudá-lo a reduzir os 
gastos. 

A pátria necessita muito do concurso da mulher na vida pública. 
Principalmente da mulher cristã, cujo senso prático é tão agudo. 
A mulher é, por natureza, muito mais disciplinada e cuidadosa do 
que 0 homem, no desempenho das obrigações. Entretanto é ne- 
cessário que a mulher se lembre sempre de que há deveres feminis, 
como a maternidade, que devem ficar acima de todo o concurso 
que ela possa prestar à nação. 

Êstes, que aí ficam, são alguns deveres. Há muitos outros que 
são intuitivos. Estamos certos de que êles brotarão no espirito de 
tôdas. 


GEORGE MULLER E AS BATATAS 

Um piedoso crente francês que vivia em Jersey, Estados 
Unidos, procurava, em tudo, fazer a vontade de Deus. Es- 
tava para receber certa partida de batatas da França, quan- 
do concebeu a idéia de que Deus queria que êle enviasse as 
batatas para o Orfanato de Bristol, dirigido por Muller. 
Eram 25 toneladas de batata. Quando o navio chegou, o 
francês foi ao pôrto, e apenas mudou o enderêço: Orfanato 
de Bristol, Inglaterra. No fim do ano, Muller fazia o se- 
guinte registro no seu relatório à sociedade: “Chegaram 25 
toneladas de batatas exatamente no momento em que se 
havia esgotado tôda a reserva de cereais”. 



ENQUANTO EU MEDITAVA 


0 Sofrimento 


“Nem éle pecou nem seus pais; mas foi assim para que se 

manifestem nêle as obras de Deus.” (João 9:3). 

Eis aí como Jesus encara o problema do sofrimento. 

Não o definiu. Se Jesus se recusou a definí-lo, quem ousaria 
fazê-lo? 

Não discorreu sôbre éle. Não especulou, como era o hábito dos 
fariseus. Aliás a prática da especulação, do debate sem fim, é 
própria dos que não têm solução aceitável. Têm solução, é verdade: 
a solução que consiste em envolver o problema nas malhas da es- 
peculação, do jogo de palavras, das frases feitas, da linguagem 
empolada. Processo tipicamente mistificador. 

Jesus não aceitou o debate que os discípulos lhe propuseram. 
Estavam os discípulos preocupados com a causa eficiente daquele 
sofrimento: de quem era o pecado? Dele mesmo? Dos pais? Essa 
maneira de encarar o problema estava bem de acordo com a men- 
talidade dominante: o sofrimento era um castigo decorrente de 
um pecado qualquer. E é correta a concepção. 

O sofrimento natural a que está sujeita a raça humana decorre 
do pecado do primeiro casal. Não tivesse o primeiro casal transgre- 
dido o mandamento divino e viveria a humanidade em um perma- 
nente paraíso. Somos todos descendentes de Adão e Eva, isto é, 
participamos da mesma natureza física e da mesma constituição. 
A desobediência trouxe a punição. Punição sôbre o homem e sôbre 
a terra tóda. 

Todos estamos debaixo das mesmas condições: bons e maus, 
pequenos e grandes, sábios e ignorantes. Todos estão sujeitos às 
doenças, aos imprevistos trágicos, aos desastres, aos terremotos e 
às vicissitudes da natureza. Em um tremor de terra tanto perdem 
a vida o santo como o mais corrompido dos homens. Ninguém, 
peto fato de ser temente a Deus, está isento de contrair varíola. 

Se assim é, vale a pena ser bom? Qual a recompensa de uma 
vida correta e pura, se também os bons são atingidos pelo sofri- 
mento? 


11 — 


Ú N I T A S 


“Por que sai do seio materno para ver o sofrimento e a dor?” 

(Jeremias 20:18) 


O sofrimento é uma realidade. 

Sofrem o inocente, o bom, o santo. Sofrem os culpados, os maus 
e os corrompidos. 

E’ que todos nascem para a mesma vida e sob as mesmas con- 
dições Êsse sofrimento está arraigado na natureza humana. Per- 
tence à ordem comum das coisas que constituem a nossa existência 
neste mundo. Mas o sofrimento é uma contingência, uma imposição 
com a qual não nos conformamos. Êle não nasceu com a raça. Foi- 
lhe imposto como conseqüência inelutável da desobediência. Dai 
explicar-se todo esforço no sentido de desarraigá-lo, de eliminá-lo, 
ou de atenuar suas conseqüências. Porque êle não é parte integran- 
te de nossa vida real, faz a ciência, faz a filosofia, todo o esforço 
possivel para eliminá-lo. O progresso explica-se em virtude da 

luta contra o sofrimento. A existência do sofrimento é um per- 
manente estimulo ao esforço humano no sentido de melhorar as 
condições da vida e restringir, ao máximo, a possibilidade de ser- 
mos atingidos pelas doenças ou pelos males. 

Por trás, pois, da contigência natural do sofrimento a que todos 
estamos sujeitos, há um ato de desobediência. O mundo seria um 
paraíso, repitamos, não fôra a desobediência do primeiro casal. 

Com essa insistência queremos afastar a imputação que alguns 
fazem a Deus de infligir o castigo mesmo contra a sua natureza 
que, como sabemos, é a bondade suprema. Não. O sofrimento não 
representa a vontade de Deus diretamente. Pode alguma forma de 
sofrimento representar sua ação direta. Vamos, adiante, tratar disso. 
Mas o sofrimento, como acontecimento da ordem natural a que 
estamos sujeitos, não representa áiretamente a vontade de Deus. 
E’ uma conseqüência do ato de desobediência dos nossos primeiros 
pais. Até a natureza sofreu com aquele ato. A desobediência trans- 
tornou 03 planos divinos. Desviou a raça humana do destino que 
lhe traçára Deus. 


Agosto de 1957 


15 


Mas não caíamos no fatalismo, como se fôsse possível acontecer 
algo sem causa, sem propósito ou sem explicação. Destino, sorte, 
são palavras absolutamente vazias de conteúdo e de sentido. Nada 
significam. Apenas servem para encobrir nossa imensa ignorância 
das causas de fenômenos imprevistos. Por trás de um fenômeno 
existe uma causa. 

Refere Stanley Jones um fato doloroso que se repete, sob ou- 
tras condições, tantas vêzes por dia em nosso mundo. Recebera 
êle carta de sua filha que terminava seu curso secundário numa 
escola situada em uma elevação nos Himalaias. Terminadas as 
festividades, tôdas as alunas desciam a encosta, por uma escada 
rodeada por um muro. Uma menina, que também coneluia seu 
curso, ao voltar-se para despedir-se das colegas que estavam um 
pouco acima, perdeu o equilíbrio, e pisou sôbre o vazio onde julgava 
ela existir apôio. Caiu no abismo e perdeu a vida. E essa menina 
era a filha única de uma viúva. 

Um caso como êsse nos confrange a alma. Como explicá-lo? 
Fatalidade? Mas isso não é explicação. Nosso mundo tem ordem. 
Os fenômenos têm causas. Algumas não são conhecidas. Mas são 
causas. O máximo que se pode dizer para encobrir nossa ignorância 
a respeito das causas de um tal desastre, é que aquela menina 
foi infeliz Uma infelicidade! 

Um jovem, crente piedoso, uma verdadeira esperança pois tinha 
raros talentos, perde a vida um dia sem ter ao menos tempo para 
refletir porque. Estava no quarto com seu irmão não crente. Êste 
examinava um revólver que supunha estar descarregado. Havia 
examinado a arma e constatara que estava descarregada. Mas, 
eis que o imprevisto acontece! Pondo o dedo no gatilho a arma 
detonou e a bala atingiu, certeira, o coração do jovem crente. 
Êste teve morte instantânea. 

Como explicar tal ocorrência? Fatalidade? Não. Houve uma 
causa: a arma na mão de alguém. E’ certo que o irmão não quis 
tirar a vida do outro. Mas foi um instrumento para que tal ocorres- 
se. Houve causa, embora incontrolável e involuntária. 


16 — 


Ú N I T A S 


Mantenhamos cm nossa mente aquela exclamação do profeta 
Jeremias. Há tanta maldade no mundo! Há tanto sofrimento! E’ 
imenso o sofrimento humano. 

Um avião cai e morrem 60 pesoas. Ocorre um tremor de terra 
e 3.000 pessoas, que dormiam tranqüilas, perdem a vida. Um furacão 
assola uma cidade e 300 pessoas perdem a vida estupidamente. Uma 
bomba atômica é lançada sôbre Hiroshima, cidade aberta e objetivo 
não militar, e mais de 200.000 pessoas, velhos, mulheres e crianças, 
sobretudo, perdem a vida. 

Em geral medimos o sofrimento em termos de números. Na 
última guerra foram sacrificadas oitenta milhões de pessoas! Mas 
na verdade o problema não se modifica quando morrem 50.000 ou 
quando morre apenas um. 

Em todos os casos, há, por trás da ocorrência, uma causa: a 
desobediência, a ignorância, ou uma causa ignorada. Vivemos em um 
mundo no qual nosso conhecimento é limitado. E essa limitação 
já é uma conseqüência do pecado dos nossos primeiros pais. Se 
conhecessemos tedas as causas certamente evitaríamos os im- 
previstos. 

Mas não continuemos a culpar tanto os nossos primeiros pais. 

Uma criança nasce defeituosa fisicamente ou nasce um débil 
mental. E’ um quadro doloroso e quase insuportável para os que 
têm um pouco de sentimento. Que mal teria praticado aquela crian- 
ça para vir ao mundo assim? Na verdade, nenhum mal praticára. 
Nem viera ao mundo por sua vontade. Por trás do seu sofrimento 
está um pai viciado no álcool. Êle é o culpado A causa é bem co- 
nhecida: desobediência. 

Examinemos nossa própria experiência: havemos de encontrar 
nela uma série de punições dolorosas decorrentes de atos de deso- 
bediência. A desobediência pode ser um simples descuido. Mas é 
desobediência. O esquecimento de uma lei que resulte em sofri- 
mento, é um ato de desobediência. 

E’ certo que ainda assim não explicaremos o sofrimento hu- 
mano. Mas estamos vendo que até onde chega nosso conhecimento, 
o sofrimento c explicável por esta palavra importante: desobediência. 


Agosto dc 1957 


— 17 


“Mas foi assim para que nêle se manifestem as obras tle Deus” 

(João 9:3) 

Deus tira partido do sofrimento. 

Não o elimina, de vez, por um ato da sua vontade ou por um 
gesto do seu poder. Fá-lo-ia se isso estivesse no seu plano. Não 
está, contudo. A certeza de que não está é a permanência do so- 
frimento. Também sabemos que não é assim que pretende êle eli- 
minar o sofrimento. Êle tem um método especial, que mencionare- 
mos adiante. 

Mas Deus é contra o sofrimento. Especialmente êle está inte- 
ressado em eliminá-lo da vida humana . Está êle interessado em 
fazer retornar ao Paraíso o homem desobediente. Tôda a história 
da revelação divina é um esfôrço no sentido de fazer o homem 
retornar à felicidade. 

Mas Deus tira partido da contingência do sofrimento. Jesus 
recusou-se a discutir sòbre o sofrimento daquele homem que nascera 
cego. Não explicou sua origem. Mas agiu: curou o homem. Deus 
não aceita debate sôbre o problema do sofrimento. Êle não pensa 
no sofrimento. Êle age para eliminar o sofrimento. Nós pensamos 
muito. Porque não podemos extirpá-lo pela ação. Não temos o 
poder divino. 

Disse Jesus que o sofrimento daquele homem era uma oportu- 
nidade para a manifestação da glória de Deus. No homem que 
sofre Deus manifesta as suas obras. 

Pode êle, muitas vêzes, permitir o sofrimento com êste objetivo: 
a manifestação do seu poder Nesse sentido é possível aceitar o 
sofrimento como a vontade permissiva de Deus. Não é êsse, tipica- 
mente, o caso de Jó? A vida de Jó tornou-se um campo de batalha 
entre Deus e o diabo. Êste sustentava que Jó adorava a Deus por- 
que era aquinhoado e abençoado. Seu culto era ditado pelo in- 
teresse, argumentava o diabo. Tire-se-lhe o que êle julga essencial, 
e êle há de abjurar a Deus. Deus “permitiu” que Satanás ferisse 
a Jó. Sabemos como o patriarca resistiu a tudo e a todos, sem 
negar o seu Deus. Pelo contrário: em meio a todo o sofrimento, 
exclamou: eu sei que meu Redentor vive e que ainda deste pó 
me pode levantar! Era o grito de vitória de um homem que se 
convenceu de que seu sofrimento servia à maior glória de Deus. E 
serviu mesmo. O poder de Deus saiu vitorioso sôbre o poder do 
diabo . 

E o próprio Jó foi mais ricamente abençoado. 


18 — 


ÚNITAS 


Haverá pessoas com a vocação do sofrimento? 

Há sim, por mais estranho que pareça, São aquelas pessoas que 
oferecem seu sofrimento para a glória de Deus. Seja êsse sofri- 
mento longo ou curto 

Conhecemos, há alguns anos, na cidade de Leopoldina, Minas, 
uma veihinha que há mais de 18 anos estava presa ao leito, so- 
frendo as privações de uma vida extremamente limitada. Vitimada 
por uma forma de paralisia progressiva de todos os membros do 
corpo. Quando a visitamos já não falava, não movia siquer a 
cabeça, não tinha qualquer domínio sôbre os membros do corpo, 
não movia os braços, as mãos ou os dedos. Não movia os lábios. 
Apenas piscava aqueles olhos grandes, iluminados, carregados de 
felicidade. Fomos alí levados para consolá-la. Consolá-la como? 
Seu era o ministério da consolação. Recurvada sôbre seu corpo, 
colocada em posição própria para nos ver, passou o tempo todo 
a lançar sôbre os visitantes os ráios benditos de seus olhos. Tinha 
os cabelos brancos, indicando o avanço dos anos, as mãos contor- 
cidas pela doença, os lábios selados. Mas seu rosto era como a de 
um anjo divino: róseo, de uma santa beleza, irradiante! Como nos 
sentimos pequenos e inferiores diante daquela grandeza do sofrimen- 
to. Quantos por ali passaram dela receberam um olhar consolador! 

Quanta gente anda por aí a maldizer a sorte, a queixar-se de 
pequenos sofrimentos. A pôr a bôca no mundo por causa de uma 
simples dor de dente ou de um fracasso econômico. Ah! se pudessem 
contemplar, por 10 minutos, o rosto angelical daquela piedosa crente 
em Jesus! Dali haveriam de sair, envergonhados de sua pequenez 
espiritual, e ao mesmo tempo dando graças a Deus pelo sofrimento 
daquela velhinha. 

Perguntamos se ela se sentia feliz apesar do sofrimento de 
tantos anos. E êle respondeu pelo sinal do costume quando queria 
afirmar; piscou os olhos Era feliz. Estranho! Mas real. 

Deus transforma o sofrimento dos fiéis em uma vocação. 

Deus tira partido do sofrimento. Êsse é um. dos seus métodos 
para eliminar o sofrimento ou transfigurá-lo. 


Agosto de 1957 


— 19 


“E disse Moisés ao Senhor; por que fizeste mal a teu servo 
e por que não achei graça aos teus olhos que pusesses sôbre 
mim o cargo de todo êste povo?” (Números 11:11). 

Moisés queixa-se de sofrimento que lhe causam as murmura- 
ções constantes do povo. Êle foi transformado numa espécie de 
muro das lamentações. A êle recorria o povo em tõdas as suas ne- 
cessidades Sofria, sobretudo, ao perceber que o povo descria da 
Providência Divina. Pedia a Deus que o matasse pois não supor- 
tava mais o sofrimento de sua missão. 

O sofrimento é redentor. Pelo sofrimento de alguns muitos 
obtêm a vida e a felicidade. ííá um ministério de cura no sofrimento. 

O escritor inglês Weaíherhead narra o seguinte fato: um me- 
nino que voltava da escola foi fulminado por um raio ao atravessar 
um pasto já perto de sua casa. Poderia o menino se ter recolhido 
sob uma árvore e talvez evitado o desastre. Mas então se poderia 
justificar seu sacrifício, atribuindo-o à ignorância, pois uma árvore 
isolada pode conduzir eletricidade. Mas o menino nada fazia, no 
momento que se pudesse atribuir à ignorância ou à desobediência. 
E como seus pobres pais receberam aquela tragédia! 

No dia seguinte a imprensa fazia o seguinte comunicado: que 
as pessoas evitassem: 1) acolher-se sob barracões ou abrigos expos- 
tos, 2) árvores isoladas, 3) junto a cêrcas de arame farpado, 4) 
elevação de morros e ESPAÇOS ABERTOS. Não fôsse o sacrifício 
daquele menino e muitos continuariam a perder a vida por falta de 
uma advertência assim. Pode-se dizer que aquele menino deu sua 
vida por muitos. Sua memória devia ser cultuada como a de um 
benfeitor. 

Perguntemos: o sacrifício daquele menino teria representado a 
vontade de Deus? Tanto quanto nos é possível compreender, po- 
demos afirmar que Deus não quis aquele sacrifício. Os vulcões, os 
tremores de terra, as tempestades, os ráios que sacrificam tantas 
vidas, não representam um direto eastigo divino. Pertencem êles 
à ordem natural a que estamos sujeitos, isto é, à ordem do pecado, 
do transtorno da obra criada. 

Mas Deus aproveita o sofrimento para beneficiar os homens. 
O sacrifício daquele menino foi aproveitado por Deus nesse sentido. 


20 — 


ÚN IT AS 


“Àquele que não conheceu pecado se fêz pecado por nós 

para que nêle fôssemos feitos justiça de Deus (2 Cor. 5:21). 

A única maneira de entender o sofrimento é examiná-lo à luz 
do Calvário. 

Os sofredores que se voltam para o Calvário encontram, pelo 
menos, um estímulo para a resignação e um refôrço para a resis- 
tência. No Calvário sofre não um homem comum, mas o homem 
incomum; não um mau, mas o bom; não um criminoso, mas o 
justo; não um corrompido, mas o santo. Não um homem qualquer, 
mas o Filho de Deus. Não um pecador, mas o inocente. 

Essa visão abre os nossos oihos e aprofunda nosso entendimento 
para compreendermos o sofrimento dos heróis, dos bons, dos justos, 
dos santos, dos filhos de Deus e dos inocentes. Se a Cruz não tem 
o poder de nos conduzir por êsse caminho, não há outro guia que 
o possa fazer com plena satisfação. A Cruz revela a condenação de 
Deus sôbre o mal e o seu amor à humanidade sofredora. 

O Calvário é o símbolo e a soma do sofrimento humano 

Nêle está o sofrimento humano retratado. O sofrimento hu- 
mano naquilo que êle tem de mais incompreensível, misterioso, e 
ao mesmo tempo cruel. Nêle está todo o sofrimento humano 
reunido. 

Eis como o profeta Isaías vê o Calvário oitocentos anos antes 
do acontecimento: “Verdadeiramente êle tomou sôbre si as nossas 
enfermidades e as nossas dores levou sóbre si; e nós o reputamos 
por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas êle foi ferido pelas nos- 
sas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que 
nos traz a paz estava sôbre êle e pelos seus sofrimentos fomos 
sarados” (Is. 53:4, 5). 

Na percepção de Isaías, Jesus levou sôbre a sua vida inocente 
— pois não se encontrou nêle pecado — o pecado de todos nós. 
Diz o profeta que êle foi assim ferido por causa das nossas trans- 
gressões, isto é, das nossas desobediências. 

Diz ainda o profeta que todos nós estávamos longe de Deus, 
cada um se desviando pelo seu caminho — caminho da desobediência, 
que nos trouxe o sofrimento. Mas Deus fêz cair sôbre Jesus a ini- 
qüidade de nós todos O inocente recebeu, sôbre sua vida, a ini- 
qüidade do mundo todo. Quando um inocente sofre, está êle, como 
Jesus, redimindo o mundo todo. Um inocente não sofre em vão. 
Só o sofrimento do inocente tem valor. Êle sofre sem ter culpa. 
Seu sofrimento só pode ter um valor redentivo. Eis o que nos ensina 
o sofrimento do inocente Jesus Cristo. 


Agosto de 1957 


— 21 


“Para conhecê-lo, e à virtude de sua ressurreição, e à co- 
municação de seus sofrimentos”. (Filipenses 3:10). 

Dissemos que o sofrimento de Cristo foi a soma do sofrimento 
humano. Isso nos dá uma idéia de quanto sofreu êle. Era incomen- 
surável o sofrimento humano decorrente da maldade e da desobe- 
diência. Uma vez Deus decidiu destruir a raça humana pois não 
suportou mais a afronta da desobediência. Agora, pretende êle re- 
criar a raça e usa o sofrimento do seu Filho. Êsse ato divino trans- 
figurou o sofrimento. Tornou-se o sofrimento o grande poder re- 
midor . 

Contudo, mais que isso, o sofrimento de Cristo foi vicário, isto 
é, foi feito em substituição. Êle sofreu em nosso lugar. Não tinha 
êle pecado e não podia ser condenado. Contudo, foi essa a vontade 
do Pai e para isso mesmo êle se dispôs. Quando êle sofria as dôres 
da cruz nós todos estávamos lá depondo sôbre seus ombros os nossos 
pecados e as nossas desobediências. Êle pagou nossa dívida para 
que nós tivéssemos, de novo, entrada na presença de Deus. Êle des- 
fêz o muro de separação que havia entre nós e Deus. Rasgou-se o 
véu de alto a baixo. Agora, paga a nossa dívida, temos livre acesso 
a Deus. A cruz era nossa. Êle a tomou sóbre si. O pecado era nosso. 
Êle o levou sôbre seus ombros para o Calvário. A condenação era 
nossa. Êle suportou-a por nós. E por que? Tudo porque nos amou. 
“Assim amou Deus ao mundo que deu seu Filho unigénito para que 
todo aquêle que nêle crê não pereça masj tenha vida eterna” 
(João 3:16) . 

Isaías diz: “o castigo que nos traz a paz estava sôbre êle.” 
Para conquistar a paz de Deus era necessário que padecêssemos a 
morte da cruz. Mas Jesus teve piedade de nós e, como inocente e 
puro, tomou sôbre si o castigo que pesava sôbre nós. Podemos agora 
obter a paz e o perdão sem qualquer sacrifício. Essas bênçãos são 
dádivas que agora Jesus nos oferece. 

O apóstolo Paulo, impressionado com todo êsse mistério do 
amor divino, pretende aprofundar seu conhecimento de Cristo a fim 
de obter a plena comunicação dos seus sofrimentos. Para que? 
Para aprender a sofrer, como cristão, em favor do mundo, e para 
aumentar sua gratidão àquele que tomou o seu lugar na cruz. 


22 — 


ÚN IT AS 


Os que assim compreendem o sofrimento de Cristo encontram 
forças para transfigurar seus próprios sofrimentos e fazê-los um 
instrumento de redenção vicária. 

Embora não seja possível extirpar o sofrimento da vida humana, 
em virtude mesmo da condição a que estamos sujeitos, é éle agora 
suportável. Se Jesus, que não teve pecados, sofreu, seria muito 
que sofrêssemos por causa da nossa desobediência? 

Não há mais mistério no sofrimento. Jesus sofreu para pagar 
nossa dívida e por um ponto final em nosso sofrimento. Aqueles 
que recebem os benefícios da morte de Jesus continuam a sofrer em 
virtude de sua existência na ordem natural. Mas fazem do seu 
sofrimento uma oportunidade para a manifestação da glória de 
Deus. ÊSS8 é um dos sentidos daquela palavra de Paulo aos cren- 
tes; “Com aqueles que o amam, sabemos que Deus coopera, em 
tôdas as coisas, para o bem”. 

De uma peça teatral de John Patrick (The house of the August 
Moon), colhemos esta seqüência de idéias realmente notável; 

O sofrimento faz o homem pensar 

Pensar faz o homem sábio 

A sabedoria faz a vida tolerável. 

Quanta gente faz da sua vida uma bênção e uma felicidade 
depois de um longo sofrimento! E’ que tiveram uma visão pessoal 
e íntima do sofrimento de Cristo. 

Diz o escritor do livro aos Hebreus; “Porque convinha que aque- 
le, para quem são tôdas as coisas, e mediante quem tudo existe 
trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe 
da salvação deles” (Heb. 2:10) . O sofrimento tornou a vida e a obra 
de Jesus completas. Estranho! Incompreensível! Pois é. E’ assim 
que Deus age em relação ao sofrimento. Poderia eliminá-lo com 
um ato do seu pensamento. Mas a vida humana é tão grande, 
tão digna, tão sublime, que Deus não ousa nela interferir dêsse 
modo. Prefere fazer do seu Filho o repositório do sofrimento do 
mundo todo para despertar nos corações o sentimento da gratidão, 
e, dêsse modo, levá-los à felicidade. 

O estranho, o incompreensível, é que milhões de criaturas nem 
se importam com o sofrimento de Cristo. Não lhe atribuem qualquer 
valor. Nêle não vêm a suprema e ilimitada manifestação do amor 
divino. 


Agosto de 1957 


— 23 


Sabemos como as ostras produzem pérolas. 

São feridas de encontro às rochas. Êsse ferimento é o comêço 
da formação de uma substância que se calcifica e que vai dar ori- 
gem à cobiçada pérola. Se a ostra não se ferir, não produz pérola. Ou 
produzirá uma pérola pequena e de nenhum valor. 

Parece, estranhamente, que o sofrimento é como a abertura de 
uma ferida que se torna a origem de uma pérola de grande preço. 
O sofrimento, estranhamente, enriquece a vida daquele que é atingi- 
do. Enriquece sua experiência. Dá-lhe um novo conceito de vida. 
Dá-lhe uma nova visão do valor da existência . Dá-lhe o ministério 
tão raro: o de sofrer com os que sofrem, chorar com os que choram. 
Mais que isso: a incomparável missão de ajudar os sofredores e le- 
vantar-se do chão. 

Os japonêsee aplicam uma técnica especial a fim de obter me- 
lhores pérolas. Obrigam as ostras a produzir as pérolas que que- 
rem, introduzindo, entre as válvulas do animal, um pedaço de subs- 
tância nacarada que atua como parasita e constitui o centro da 
futura pérola. E’ em volta dessa matéria estranha à ostra que ela 
elabora, paulatinamente, o nácar de que se vai constituir a futura 
pérola. Aquele pedaço de substância estranha incomoda, e contra 
ela a ostra age produzindo o nácar. A pérola fina, de alto preço, 
c produzida pela ação da ostra para livrar-se de uma larva tre- 
matoide que lhe perfurou a casca e penetrou no seu interior, E a 
ostra não sabe que está, com essa luía, produzindo uma jóia de 
alto preço, 

O sofrimento tem igual função admirável na vida de quem 
sabe lutar contra êle . Nessa luta produz-se a riqueza, a pérola, 
a jóia. 

Tudo isso é estranho. Mas é verdade. Da morte surge a vida 
Se a semente lançada na terra não morrer, fica ela só. Mas se 
morrer, produz fruto. 

Foi assim com Jesus: pelos seus sofrimentos nós fomos sarados. 
Pela sua morte nós obtivemos a vida. 


A tristeza chegou ontem 


“Ora, sucedeu que, aj>ós a morte de 
Moisés, servo do Senhor, o Senhor 
falou a Josué, filho de Xum, Ministro 
de Moisés, dizendo: Moisés o meu ser- 
vo está morto; agora, pois, levanta-te, 
atravessa éste Jordão, tu e todo êste 
povo.” (Josué 1:1, 2) 

A Irislcza chegou a ti ontem, esvaziando o teu lar. O teu im- 
pulso jjrimeiro é o de te entregares, assentando-te desesperado entre 
os escombros de tuas esi)cranças. Não fe atrevas, porém, a fazê-lo. 
Estás na linha da batalha, e a crise c iminente. Vacilar um momento 
seria pôr em perigo algum objetivo sagrado. Outras vidas estariam 
perigando, devido à tua hesitação, interesses sagrados seriam pre- 
judicados i)cla tua vacilação, se permanecesses de braços cruzados. 
Não te deves deter, mesmo para dar largas à tua angústia. 

Tm ilustre general contou o seguinte incidente patético de sua 
própria experiência cm tempo de guerra. Seu filho era tenente de 
artilharia c incumbido de uma bateria. Um assalto estava-se pro- 
cessando, enquanto o general levava sua divisão ao ataque. Ao 
avançar no campo, subitamente viu perante os olhos um oficial de 
bateria tombado por terra, sem vida. Num relance reconheceu que 
era seu filho. O primeiro impulso que teve foi o de parar junto ao 
corpo amado c entregar-se à sua angústia. O dever do momento, 
j)orém, exigia que prosseguisse ao ataque, por isso, depondo rapida- 
mente um beijo nos lábios ainda quentes do filho, afa.stou-se e con- 
duziu seus comandados ao assalto. 

Chorar inconsolàvehnente á beira do túmulo de um ente ipie- 
rido, não restituirá o tesouro desaparecido. De uma tristeza tal nunca 
poderá advir bênção alguma. As cicatrizes cpic a angústia deixa são 
profundas; ela imprime a sua passagem indelevelmente sôbre o 
coração do sofredor. Na verdade, nunca nos restabelecemos de todo; 
não somos mais o (pic éramos outrora. Há, entretanto, uma influência 
benévola e fertilizante na tristeza aceita com paciência e suportada 
corajosamente. São pobres, na verdade, os que nunca sofreram, nem 
trazem em si os sinais de pezar. 


Agosto de 1957 


— 25 


A felicidade que vishinibranios devia brilhar sôbre as nossas 
amarguras como brilha o sol através das nuvens por èle glorificadas. 

Deus tem determinado que, no cumprimento do dever, ve- 
nhamos a encontrar o mais real, o mais abundante consolo para 
nós mesmos. 

Quedados a relembrar as nossas mãguas, as trevas se apro- 
fundam em tôrno de nós, penetram em nosso coração, transformando 
a nossa fôrça em fraqueza. .Se, porém, desviarmos a vista da 
escuridão, e empreendermos as tarefas e os deveres para os quais 
Deus nos acena, a luz voltará de novo e nos fortalecerá. 



O PODER DE DEUS 

Há vários anos atrás, a fóz do rio Mississipe nos Estados 
Unidos ficou sèriamente obstruida, de maneira a não per- 
mitir que nenhum navio passasse pelo canal. Houve muita 
preocupação, pois os fazendeiros localizados às margens da- 
quele rio dêle dependiam para a transportação de seus pro- 
dutos. 

A obstrução não fôra ocasionada por nenhuma rocha 
que porventura houvesse rolado para ali, nem tão pouco 
qualquer erupção vulcânica mudara o leito daquele rio. A 
dificuldade erá são somente um banco de areia gradual- 
mente formado pelos sedimentos das águas lodosas daquele 
rio, sedimentos tão finos que só um bom filtro poderia se- 
pará-los da água. Apesar de tão minúsculas, essas subs- 
tâncias barrentas, reunidas, provocaram o transtôrno, che- 
gando mesmo a ameaçar as indústrias do sudoeste dos Es- 
tados Unidos. 

Não é necessário que seja um “grande pecado” para 
impedir a recepção das bênçãos de Deus. Pequenos pecados 
podem obstruir a “Corrente”. 

O engenho humano encontrou afinal um meio para 
desobstruir o canal, mas só o poder de Deus poderá livrar os 
nossos corações do pecado. 

(Trad.) — Divulgação do S.N A. 


“Ei\l MIM... PAZ” 


Há uma vasta diferença entre felicidade e bem-aventurança. 
Paulo sofreu i)ris('ies, dòres e sacrificios, sofrimentos até o limite; 
mas no meio de tudo isso foi abençoado. Tôdas as bem-aventuranças 
encheram-lhe o coração c a vida nessas mesmas condições. 

Paganini, o grande violonista, apareceu um dia perante seu 
auditório e, no momento em que terminaram os aplausos, notou algo 
de anormal no seu violino. Examinou-o por um segundo e viu que 
não era o seu valioso e célebre instrumento. Ficou estarrecido, mas 
voltando-sc logo para seu auditório, disse que houvera um engano e 
(pie o violino não era o seu. Voltou para traz do pano do fundo, 
pensando (jue ainda estivesse onde o deixara, porém, descobriu que 
alguém o havia roubado, deixando um velho violino de segunda mão, 
cm seu lugar. Hesitou por um instante mas foi logo em seguida 
jiara o palco e dirigindo-se ao auditório, disse; 

— Senhoras e senhores, vou mostrar-lhes que a música não 
está no instrumento c sim na alma. Ai tocou como jamais tocara e, 
daquele instrumento de segunda mão, jorrou música que fez o 
auditório vibrar de entusiasmo. Os aplausos eram tais que o teto 
parecia a ponto de vir abaixo, porque o músico havia lhes revelado 
que a música não se achava no instrumento mas na sua própria alma. 

É sua missão, experimentada c provada, aparecer no palco 
dêste mundo e revelar à terra e aos céus que a música não depende 
das condições nem das coisas, não se acha nas coisas exteriores; a 
música da vida, reside dentro de sua própria alma. 

Se a paz estiver no seu coração, a mais furiosa tempestade 
invernal estará cheia de beleza, o relâmpago da meia noite somente 
mostrará o caminho do dever, todo o ser vivente contará nova 
história jubilante, as próprias árvores e pedras todas refletirão um 
ráio glorioso se a paz estiver em seu coração. 


“E SE NAO” 


. . . fica sabendo, ó rei que não ser- 
viremos a tens deuses nem adoraremos 
a estátua de ouro que levantaste.” 

A história não começa assim. O rei encomendou uma estátua 
de ouro, de sessenta còvados de altura, depois reuniu os sátrapas, os 
prefeitos e presidentes, os juizes, os tesoureiros, os conselheiros, os 
oficiais e todos os governadores da provincia, para a consagração da 
tal estátua. Um aráuto apregoava em voz alta: “Ordena-se a vós, ó 
povos e nações e gentes de tódas as linguas, que quando ouvires o 
som da buzina, do j)ifaro, da harpa, da samhuca, do saltério, da 
gaita de foles, e de tòda a sorte de música, vos prostreis e adoreis a 
imagem de oiro (|ue o rei mandou erigir. E qual([uer que não se 
prostrar e não a adorar, será na mesma hora lançado dentro do 
forno de fogo ardente”. De modo que quando os sátrapas, os pre- 
feitos, etc., etc., ouviram o som da buzina, do pifaro, etc., etc., pros- 
traram-se e adoraram a estátua de ouro. Mas o barulho ensurdecedor 
dos instrumentos sonantes e dissonantes não chegou a amedrontar os 
quatro cativos empregados a serviço de sua majestade, c[ue haviam 
aprendido quando ainda crianças, as palavras e o conteúdo do pri- 
meiro e do segundo mandamentos. Imediatamente alguém foi contar 
ao rei que èsses homens não estavam fazendo muito caso dêle. Então, 
também imediatamente, o rei ordenou que êles se explicassem, (pie 
seria melhor fazer o que êle mandava pois do contrário seriam lan- 
çados na mesma hora dentro do forno de fogo ardente, coisa (pie 
clcs já sabiam, e terminou as admoestações com um desafio, que- 
rendo saber qual seria o Deus que os livraria de suas mãos. Apa- 
rentemente as ameaças não deram muito resultado, visto que os 
quatro disseram ao rei (pie não necessitavam responder-lhe com 
referência aquele negócio de adorar estátuas; e quanto à fornalha, 
acrescentaram: o nosso Deus, a quem nós servimos, é (pie nos pode 
livrar do forno de fogo ardente e da tua mão, ó rei. Depois de deixar 
bem claro que o Deus dèles “podia” guardá-los não importava onde, 
êles terminaram: “e se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos 
a teus deuses nem adoraremos a estátua de oiro que levantaste.” 
Deus podia. . . Deus pode. . . Se Êle, mesmo podendo, ejuiser que a 
gente se queime, fica sabendo, ó rei, ejue não serviremos a teus deuses 
nem adoraremos a estátua de oiro cpie levantaste. . . 

Nada mais fácil do que confiar em termos gerais no poder de 
Deus. Menos fácil é esperar com paciência a manifestação desse 


poder em resposta aos pedidos de libertação, dc desaeorrentamcnto, 
de triunfo, de vitória, (piando a resposta não parece cliegar nunca. 
Hem mais dificil é rccclier, das mãos do próprio Deus um NÃO para 
acpiilo (pie se esiierava um .SIM. Então começam as dúvidas nas pro- 
messas, a falta de confiança no poder, no valor e na necessidade da 
oração; surgem cpiestões sôbre a finalidade disso tudo, sôbre a 
próiiria escôllia de um caminho (pie afinal, não vai dar onde a gente 
esperava. Não c só a frustração de um desejo não realizado, de um 
pedido sem resjiosla. É o abalo da estrutura básica da fé, nas pa- 
lavras c promessas sôbre a vitória da crença. Afinal, para (lue pedir, 
se não acontece, e dcjiois já se sabia de antemão ejue não ia acontecer 
mesmo. Essa última parte é sussurrada, para não dar o braço a 
torcer, porcpie por muitos dias, semanas e anos, o (jue se sabia sem 
dúvida alguma é ciue a fé triunfaria, numa boa causa. Mas não vale a 
jiena admitir essa confiança cega, jiois como não aconteceu pode ser 
(pie seja engano, e (pie a fé não seja bem isso cpie a gente imagina. 
De duas uma: ou se deixa de crer, ou se realizam algumas mudanças 
drásticas na forma de crença (jue por certo não poderá mais ser 
implicita e total, visto (pie o cpie deveria acontecer não aconteceu. 

Tudo isso pode muito bem se realizar e realiza-se, se a gente 
não se lembrar, no fim de cada prece, dessa alternativa: e se não. . . 
Se assim não for... não serviremos a outros deuses... Não nos 
curvaremos diante de um deus de meias medidas, no cpial se confia 
desconfiando, no (jual se espera ao mesmo tempo cpie se tomam outras 
iniciativas jior fora. A história de uma longa prece, de semanas, 
meses e anos, a cpial Deus responde com um categórico NÃO é uma 
história cheia de lições cpie não se esquece. A maior delas é a 
transferência da esjierança em uma dádiva especifica, para o doador 
de tódas as dádivas. O valor daquilo que se e.sperava receber, de- 
saparece completamente diante daquilo cpie se recebe. E como nem 
uma prece é perdida ou ecoada em vão, o que acontece é que tôda a 
fôrça, tôda a intensidade, tôda a energia espiritual despendida em 
comunhão com Deus, durante tanto tempo, desencadeia-se em ma- 
nanciais de bênçãos inexplicáveis, na resposta que se esperava. Não 
a resjiosta da coisa cm si, do fato material, da realização especifica, 
mas a resposta verdadeira, na forma da graça infinita que é co- 
locada à disposição do pedinte, no momento mesmo em que Deus 
profere um não ao seu pedido. 

O Deus a quem servimos é quem nos pode livrar... mas se 
não. . . Quem cpiiser saber o fim da história pode ler o capitulo 3 do 
livro dc Daniel. Para descanso de todos adiantaremos que a história 
terminou bem. Mas se não terminasse... não faria a menor di- 
ferença para êles. 


t if if if ir 


DIRETRIZ 

EVANGÉLICA 




CONVERSA PESSOAL COM DEUS 

John B. Coburn 

As pedras fundamentais do edifício da prece — são as próprias 
preces que nós fazemos. “Fazer as nossas preces” — regularmente, 
devotadamente, inteligentemente, — eis a base de uma vida de 
oração. Sóbre êsse fundamento se apoiarão tòdas as nossas preces 
ulteriores. E’, pois, importante ter-se um alicerce seguro. Fazendo 
uso da figura da construção de uma casa, vamos dizer, em alguns 
parágrafos, como devemos preparar o terreno para receber as pe- 
didas dos alicerces. 

QUANDO ORAR — Não importa a hora: qualquer ora serve. 
Todavia, uma vez escolhida uma hora, use-a sempre a mesma. Pe- 
sam muitas solicitações sóbre o seu tempo. Assuntos importantes 
se acumulam, exigindo o seu tempo. Se você não der a Deus o 
tempo que lhe reservou, ver-se-á de tal maneira envolvido que 
não disporá de hora alguma para êle. Por isso é de bom a, viso 
reservar uma hora certa — qualquer hora — ■ e consagrá-la. 

As horas matutinas, antes que as envolvam os acontecimentos, 
são as melhores para algumas pessoas; outras pessoas há que oram 
melhor à noite, quando o mundo se lhes aquieta. Há quem ore nos 
metrôs, nos ônibus, durante a primeira refeição, ou mesmo quando 
regressam para casa após suas horas de serviço. 

Não há para isso regra; porém, obviamente, o melhor tempo 
para a tranquilidade (e a tranquilidade é a melhor companheira 
em nossa conversa com Deus) é o período da manhã quando pode- 
mos pedir a graça de Deus para as vicissitudes do dia que se abre 
diante de nós, c é também o período da noite quando, em sua pre- 
sença, podemos reviver aquelas vicissitudes, encomendando-nos ao 
mesmo tempo para a noite que nos recebe. 

O período matutino é calmo porque, vigorosos, ainda não nos 
abateram os sucessos do dia; o período vespertino é bom porque 
podemos abrir a nossa consciência para que Deus aí permaneça 
enquanto dormimos. Cuidado, porém: há o perigo de, mortos de 


30 — 


ÚNIT AS 


cansaço, dormirmos antes de dizer a nossa prece. Pela manhã 
a prece se exprime em termos de ação; a noite é o tempo quando 
a oração ss exprime em termos de repouso. 

ONDE ORAR — O princípio básico continúa o mesmo: ore onde 
desejar; porém, tendo escolhido um lugar, faça dêle o seu lugar 
habitual de prece. Jesus recomendava fechar-se no quarto; se não 
possuímos um lugar assim privativo, procuremos um outro que reuna 
iguais características de retiro e solidão, pois o essencial é estarmos 
a sós com Deus, porque então diremos tudo o que quizermos, do 
modo como quizermos, sem o risco de sermos interrompidos ou in- 
discretamente ouvidos. Nunca se poderá pôr ênfase demasiada na 
necessidade de um lugar separado de retiro destinado à prece pes- 
soal que diàriamente fazemos. E’ claro que pôde ser um lugar 
em nosso lar e êsse lugar poderá ser simplesmente a nossa cadeira 
de braços. À sua vista, na parede fronteira, está um quadro reli- 
gioso ou uma cruz; estão talvez alguns livros devocionais. . . Outro 
lugar naturalmente indicado para a prece é o templo. Ai você se 
detem em sua ida ou em seu regresso do trabalho. Na casa de 
oração forma-se uma atmosfera de piedade, para o que concorrem 
não só a arquitetura peculiar como principalmente os eflúvios das 
orações que os fiéis vêm alí oferecendo ano após ano. E’ claro 
que encontraremos a Deus mais facilmente quando o procuramos 
c-m sua própria casa! 

Seja como fôr, escolha um lugar para onde ir, dia após dia, 
conversar com Deus: êsse lugar santificar-se-á em breve mercê 
da presença divina que as suas orações diàriamente invocam. 

COMO ORAR — Deitado na areia da praia é como eu oro me- 
lhor, dizia certo pastor. Recomendava Inácio de Loióla dizer-se o 
Pai Nosso de pé e, depois, dando um passo avante, ajoelhar-se, e 
então dizer a prece. “Se, ajoelhando”, escreve êle, “encontro o que 
desejo, não mudo de posição.” Ora, na oração particular você 
póde orar de pé, sentado, ajoelhado, ou deitado. Use a posição que 
melhor lhe convenha. A única regra é ser o mais natural possível. 
Será contudo de algum auxílio adotar-se o costume tradicional: 
de pé para adoração e ação de graças: ajoelhado para confissão e 
intercessão; sentado, para meditação. 

As palavras empregadas, simples e diretas, devem ser as suas 
próprias palavras, porque é esse o modo de conversarmos direta e pes- 
soalmente com Deus. Como se estivesse conversando com um amigo, 
fale com naturalidade, usando palavras que surjam em sua bôea 
com espontânea simplicidade. 


Agosto de 1957 


— 31 


ONDE PEDIR EMPRESTADO — E’ certo que você precisa cie 
ajuda em suas orações, de vez que, em breve, esgotados seus pró- 
prios recursos, você se sente como que tolhido, repetindo o que 
já disse muitas vêzes. E’ chegada a ocasião de recorrer ao auxilio 
alheio: tal alimento você encontrará em folhetos e livros piedosos, 
como há muitos publicados por quase tòdas as denominações. Um 
cuidado, porém: Faça que essas preces sejam suas próprias. Não 
lê-las simplesmente, mas apropriá-las de tal modo que, enquanto 
lhe fornecem material e direção, se tornem suas. Eis aqui um 
exemplo: Trata-se de uma prece habitual em nossos cultos públicos 
e baseada originalmente em algumas palavras do profeta Isaías, a 
saber: “O’ Deus de paz, tu que nos ensinaste que seremos salvos 
no repouso e na segurança, e que na tranquilidade e na confiança 
estará a nossa fõrça, — pelo poder de teu Espirito alevanta-nos, 
rogamos-te, até à tua presença, onde nos sentiremos tranquilos, 
sabendo que tu és Deus; por Jesus, nosso Senhor.” 

Pois bem. Faça essa prece ser sua, dizendo lentamente: “O’ 
Deus de paz, tu que me ensinaste que eu serei salvo no repouso e 
na segurança, que na tranquilidade e na confiança estará a minha 
fõrça, pelo poder de teu Espírito ergue-me até à tua presença, onde 
eu possa estar quieto, ciente de que tu és Deus; por Jesus meu 
Senhor.” 

Quer uma rica fonte de material para a prece? Cá estão os 
Salmos. As preces que aí se encontram são preces oferecidas a Deus 
por um homem quando tomado de cólera... quando feliz... quan- 
do culpado e sensual... quando agradecido e confiante... quan- 
do desconfiado e cheio de desespero... quando transbordante de 
amor e adoração. Fornecem uma provisão que nunca se esgota: 
familiarizar-se com alguns salmos é fortalecer as suas preces, é 
aprofundá-las, é enriquecê-las. Preste atenção a estas poucas pas- 
sagens, leia-as em sua Bíblia em voz alta, vagarosamente: 

LOUVOR — “Bemdize, ó minha alma ao Senhor, e tudo o que 
há em mim bemdiga o seu santo nome. . .” (Salmo 103:1-2) . 

“Cantarei ao Senhor enquanto eu viver; cantarei louvores ao 
meu Deus, enquanto eu tiver existência.” (104:33). 

“Tu és o meu Deus, e eu te louvarei; tu és o meu Deus, e eu 
te exaltarei.” (118;28, 29). 

CONFISSÃO — “Tem m.isericórdia de mim, ó Deus, segundo 
a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a mul- 
tidão de tuas misericórdias.” (Salmos 51:1-4, 9-12, 17). 


32 — 


ÚN IT AS 


AUXÍLIO — “Senhor, ouve a minha oração, e chegue a ti o 
meu clamor.” (102:1, 2 ). 

“Em ti. Senhor, confio; nunca me deixes confundido; livra-me 
pela tua justiça.” (31:1-5). 

“Das profundezas a ti clamo, ó Senhor. ..” (130). 

CONFIANÇA — “Aquêle que habita no esconderijo do Altíssimo, 
à sombra do Onipotente descansará.” (91:1-7). 

“O Senhor é o meu pastor, nada me faltará. . . (23) . 

Tais preces se tornarão suas, caro leitor, se você as assimilar. 
Isto você consegue, apropriando as palavras do salmista como se 
íôssem suas próprias palavras. Ficará assim habilitado a, através 
de cada estado e experiência de sua alma, exprimir os seus senti- 
mentos encaminhando-os retamente a Deus. Que isso é o que 
se chama prece pessoal. 

(Apresentamos ao leitor parte do segundo artigo de uma série 
em que a revista Frebyterian Life condensa o livro A Prece e a 
Religião Pessoal, de John B. Coburn, recentemente publicado nos 
Estados Unidos, e de cujo valor diz bem esta pequenina amostra.) 

(Tradução e adaptação de Oscar Arruda) 




TROCA DE IDÉIAS 


Você tem um cruzeiro 
Eu tenho um cruzeiro 
Trocamos 

Você fica com o meu 

Eu fico com 0 seu 

Isso não melhora nossa situação 

Você tem uma idéia 

Eu tenho uma idéia 

Trocamos 

Agora você tem duas idéias 
E eu tenho duas 
Ficamos mais ricos 
O que deu você tem 
O que você ganhou eu não perdi. 



'Terdoa as Nossas Dívidas'^ 

Adauto Araújo Dourado 

Foi num massacre de armênios. Um soldado turco matou o 
irmão de uma jovem armênia. Ela fugiu, conseguindo escapar, 
quase por milagre. Tornou-se, mais tarde, enfermeira. Certo dia, 
fazendo a ronda de seu hospital, encontrou um soldado turco feri- 
do, quase à morte. Ela o reconheceu. Pequeno descuido e êle teria 
morrido, mas ela cuidou dêle, aplicando tôda a sua capacidade, com 
0 firme propósito de salvá-lo. Depois de alguns dias de cuidadoso 
tratamento foi readquirindo a sua conciência. Reconheceu que a 
sua enfermeira era a irmã do homem que matára. Espantado, 
perguntou-lhe por que cuidara dêle com tanto desvêlo, sabendo 
que êle matara o seu irmão. A enfermeira respondeu: “Tenho uma 
religião que ensina a fazer o bem até àqueles que nos perseguem”. 
O soldado ficou em silêncio por um pouco, e com lágrimas nos 
olhos disse: “Nunca pensei que houvesse uma religião assim”. 

Jesus viveu essa religião. Quando pregado numa cruz, orou 
pelos seus inimigos: “Pai, perdoa-lhes...” Com a autoridade do seu 
exemplo, ensinou-nos que deveríamos orar: “E perdoa-nos as nos- 
sas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores”. 
E’ bom observar que é perdoa-nos como nós perdoamos e não porque 
nós perdoamos. Não é o nosso perdão que nos dá mérito para que 
Deus nos perdoe. O Novo Testamento ensina-nos que o perdão 
de Deus é ato exclusivo da graça divina. Deus não está fazendo 
negócio conosco: se nós perdoarmos, Êle nos perdoará. Deus sempre 
perdoa. Mas quem não perdoa, fecha o coração à graça divina, não 
recebe os benefícios do perdão. Quando perdoamos, entendemos o 
perdão divino e nos apropriamos dêle. Por isso, Jesus nos ensinou 


31 — 


ÚNIT AS 


a orar: “E perdoa-nos as nossas dividas, assim como nós temos 
perdoado aos nossos devedores”. Nessa petição, encontramos im- 
portantes verdades, que desejo salientar neste estudo. 

Somos pecadores. Apresentamo-nos diante de Deus como de- 
vedores que não podem pagar as suas dividas. A Biblia diz: “Não 
há nenhum justo, nem sequer um... todos se extraviaram e à 
uma se fizeram inúteis”. Por isso, escreve Calvino: “Qualquer pes- 
soa que se recuse a confessar que tem ofendido a Deus, como de- 
vedor que não paga se exclui do cristianismo”. E Lutero, com o 
seu senso de humor, diz: “Diante de Deus nos sentimos obrigados a 
encolher as nossas asas”. E’ bem verdade que muitos não se julgam 
pecadores. Spinoza doutrinava: “O mal não é possitivo”. Com essa 
declaração o eminente filósofo negava a existência do mal, que 
nada mais seria do que a ausência do bem, como as trevas são au- 
sência de luz. Também os comunistas se firmam na ilusão marxista 
e afirmam que quando a revolução for completamente vitoriosa o 
egoísmo que é inseparável das instituições de propriedade e ca- 
pital será eliminado. Em vista disso, o teólogo Reinhold Niebuhr 
observa critèriosamente: “Nenhum acúmulo de evidências em con- 
trário parece perturbar a boa opinião que o homem moderno faz 
de si mesmo”. 

Como seria possível despertar no homem moderno a consciência 
do pecado? Não seria o caos em que o mundo se encontra a evi- 
dência da pecaminosidade do coração humano? São Bernardo disse 
com razão: “O mundo tem suas noites e não poucas”. Vivemos uma 
das mais terriveis noites da civilização. A causa de insegurança, 
ódios e guerras deve estar no pecado que se aninha no coração do 
homem. O reconhecimento dêsse fato levou Studdert-Kennedy a 
dizer: “Mudar govêrno significa apenas substituir um grupo de pe- 
cadores por outro grupo de pecadores”. 

A vida, a personalidade e o caráter de Jesus revelam que somos 
pecadores. Muitos há que não se julgam pecadores, porque não rou- 
bam, não matam e não desrespeitam as famílias. E nem ao menos 
lhes ocorre a idéia que se estão comparando com ladrões, assassinos 
e adúlteros. A situação muda completamente quando nos compa- 
ramos com Jesus. lago de Cássio diz com humor: “Êle tem uma 
beleza constante em sua vida, que me torna feio”. Quando nos 
colocamos diante de Deus, sentimos a necessidade de clamar como 
0 profeta Isaías: “Ai de mim! pois estou oerdido; porque, sendo 
eu homem de lábios impuros e habitando no meio de um povo 
de lábios impuros, os meus olhos viram o Rei, Senhor dos Exércitos”. 


Agosto de 1957 


— 35 


Não há fugir. Somos pecadores. E a nossa maior necessidade 
é do perdão divino. À semelhança do publicano da parábola, che- 
guemo-nos ao trono da graça divina, com esta oração: “O’ Deus, 
tem misericórdia de mim, o pecador”. 

Paulo Loizeaux exclamava; “Como é difícil encontrar pecadores! 
Se eu encontrasse ao menos um, teria maravilhosa mensagem para 
êle”. Referia-se evidentemente a homens que se reconhecessem pe- 
cadores. Ser pecador é uma coisa; reconhecer-se pecador é outra. 
E’ 0 Espirito Santo que nos convence de pecado e faz que nos sin- 
tamos pecadores, maus o perdidos. Jesus nos ensinou a aproximar- 
mo-nos de Deus com esta atitude de contrição: “Perdoa-nos as nos- 
sas dívidas”. Porque “ao coração quebrantado e contrito, ó Deus, 
tu não o desprezarás”. 

A segunda verdade importante que a petição nos ensina é que 
Deus perdoa. Karl Barth escreve: “O perdão de Deus deve ser cla- 
ramente entendido. Não questão de esperança incerta ou ideal 
para ser buscado ou imaginado. E’ um fato. Antes de pedirmos. 
Deus já nos garantiu seu perdão. Ora em vão quem desconhece 
êsse fato. O perdão já nos foi dado, e é por essa realidade que vi- 
vemos”. 

Há os que negam a possibilidade do perdão. Huxley diz: “Não 
existe tal coisa que se chama perdão”. Bernardo Shaw declara: “O 
perdão é o refúgio dos mendigos; nós devemos pagar nossas dívidas”. 
Mas, não nos diz como. E nos esclarece H. G. Wells que o poder 
último é de “implacável hostilidade”. Como poderá haver perdão, 
se vivemos num universo de causa e efeito? O que o homem semear 
deve ceifar. 

A Bíblia, entretanto, proclama o perdão divino. Deus perdoa. 
“Quem é Deus semelhante a ti?” — interroga o profeta Miquéas. A 
grande superioridade de Deus sôbre os deuses pagãos consiste, no 
entender do profeta, em sua capacidade de perdoar. “Quem é seme- 
lhante a ti, que perdoas a iniqüidade e que te esqueces da trans- 
gressão?” E acrescenta: “Tu lançarás todos os seus pecados no 
fundo do mar”. 

Jesus e os seus discípulos proclamavam a mensagem do perdão 
divino. A Igreja Primitiva se empolgou com o evangelho do perdão 
e o anunciou com grande poder: “O sangue de Jesus, seu Filho, nos 
purifica de todo pecado”. 

O Deus da Biblia não é um prisioneiro das leis naturais, mas 
é “Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo”. E’ personalidade que 
não se confunde com o universo. Deus é Espírito e amor criador. 


36 — 


ÚNIT AS 


Que 0 impedirá, portanto, de perdoar, isto é, de criar nova situação 
para o pecador que se arrepende? 

“Deus em Cristo vos perdoou” escreve Paulo aos Efésios e essa 
é a mensagem de que o coração humano mais necessita. 

Poderia Deus perdoar sem comprometer a sua justiça? Guerra 
Junqueiro, em sua conhecida poesia “Caridade e Justiça”, escreve: 
“O justo não perdoa”. E põe na bôca de Judas estas palavras: 

“À tua caridade humanitária e doce, 

Eu prefiro o dever terrível! E enforcou-se”. 

O perdão divino se harmoniza com a justiça. O preço do perdão 
é a cruz. Na teoria, o perdão dos pecados enfraqueceria a morali- 
dade, conduzindo-nos a uma piedade sem ética. Na prática, o per- 
dão é precioso estímulo à vida de pureza, retidão pessoal e consa- 
gração ao Mestre. Jesus perdoou a Pedro, dando-lhe o encargo de 
apascentar as suas ovelhas. Êsse perdão foi a fórça restauradora da 
personalidade de Pedro, tornando-o uma das colunas mais fortes da 
Igreja Primitiva. Lembremo-nos de que o perdão divino faz parte 
da obra redentora de Jesus Cristo, que transforma e restaura o 
homem. 

O perdão de Deus, portanto, não sacrifica a justiça, porque 
Jesus a cumpriu, morrendo em nosso lugar. “Mas êle foi ferido 
por causa das nossas transgressões, esmagado por causa das nossas 
iniqüidades; o castigo que nos devia trazer a paz caiu sôbre êle, e 
pelas suas pisaduras fomos nós sarados. Todos nós temos andado 
desgarrados como ovelhas; temo-nos desviado cada um para o seu 
caminho; e o Senhor fêz cair sôbre Êle a iniqüidade de todos nós”. 
Se 0 perdão do meu pecado custa tão alto preço, então, devo viver 
à altura dêsse perdão. 

Deus perdoa. Muitos já experimentaram êsse perdão, que res- 
taura as nossas relações com Deus. Por isso Bengel orava cheio 
de confiança: “O’ Deus, nada há entre nós dois”. Perdoar nem 
sempre significa livrar-nos das conseqüências do pecado, mas con- 
duzir-nos à comunhão com Deus. E na companhia de Deus, todos 
os problemas se resolvem. 

Eis a trilogia de importantes verdades que a quinta petição do 
Pai Nosso nos sugere: Somos pecadores. Deus nos perdoa. Deve- 
mos perdoar os que nos ofendem. 

Perdoar não é facil, mas é o certo. 

Não faz muito tempo, o rádio e a imprensa noticiavam um 
dos crimes mais bárbaros e atrózes, que já se perpetraram nos 
Estados Unidos. Mãos criminosas reptaram o pequeno Bobby 


Agosto de 1957 


— 37 


Greenlease, de seis anos de idade. Exigii’am depois dos ricos pais 
da infeliz criança a importância de seiscentos mil dólares pelo 
resgate. Os pais pagaram a importância solicitada, mas os raptores, 
temendo que a criança pudesse acusá-los, mataram-na cruelmente. 

Presos pelo policia os autores dêsse nefasto crime, julgados e 
condenados à morte, escreveram uma carta aos pais de Bobby 
Greenlease, pedindo-lhes perdão. 

Se nos colocarmos no lugar daqueles pais, com o coração ferido 
pela perda do querido filho, em condições tão deshumanas, vere- 
mos como é difícil perdoar. 

Quando o Senhor Jesus disse aos seus discípulos: “Se teu irmão 
pecar contra ti, repreende-o; se êle se arrepender, perdoa-lhe. Se 
por sete vêzes vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa- 
lhe”. Êles acharam o ensino tão difícil de ser praticado, que ex- 
clamaram: “Aumenta-nos a fé”. 

A natureza humana não gosta de perdoar; prefere a vingança. 
Mordida por um cão hidrófobo, uma jovem estava passando muito 
mal. O médico, reconhecendo que a morte se aproximava, per- 
guntou-lhe se gostaria de dizer alguma coisa. Ela respondeu: “Eu 
gostaria de morder um a um os donos daquele cachorro que me 
mordeu”. 

Apesar da dificuldade, Jesus dá ênfase, em seus ensinos, à ne- 
cessidade de perdoar. Jesus não sòmente ensinou que deveríamos 
perdoar como nos dá poder para fazê-lo. Conta-se que certa vez, 
nos primórdios do cristianismo, um fiel discípulo de Cristo estava 
sendo torturado pelos pagãos que, em dado momento, lhe pergun- 
taram: “Êsse Cristo a quem tu adoras, que milagres tem feito?” 
O mártir respondeu prontamente: “Faz um neste momento, dan- 
do-me fôrça para vos amar e perdoar”. 

Perdoar é a atitude certa aos olhos de Deus. Jesus nos contou 
a parábola do credor incompassivo. Um servo devia ao seu senhor 
uma quantia astronômica, muito além de sua possibilidade de pagar. 
O senhor exigiu-lhe o pagamento. O senhor compadeceu-se dêle e 
lhe perdoou a dívida. Êste mesmo servo que fôra perdoado, en- 
contrara um dos seus conservos que lhe devia uma quantia módica 
e agarrando-o sufocava-o, dizendo: “Paga-me o que me deves”. 
O conservo, caindo-lhe aos pés, implorava-lhe: “Sê paciente comigo 
e te pagarei”. Mas êle não lhe perdoou a dívida e o lançou na prisão. 
Os seus companheiros, vendo o que se havia passado, contaram tudo 
ao seu senhor. E o senhor lhe disse: “Servo malvado, perdoei-te 
íòda aquela dívida, porque me suplicaste, não devias tu, igualmente, 


3 « — 


ÚN IT AS 


compadecer-te do teu servo, como também eu me compadeci de ti?” 
E indignando-se o seu senhor o entregou aos verdugos até que lhe 
pagasse tóda a dívida. E Jesus faz a aplicação dessa parábola 
nestes têrmos: “Assim também meu Pai celeste vos fará, se do 
íntimo não perdoardes cada um ao seu irmão”. 

Nada entristece tanto o coração do Pai Celestial como o es- 
pírito de cólera, rancor e vingança. São Paulo aconselha: “Não 
entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para 
o dia da redenção”. E logo acrescenta: “Longe de vós tóda amargu- 
ra, e cólera e ira e gritaria e blasfêmia e bem assim tóda malícia, 
antes sêde uns para com os outros benignos, compassivos, perdoan- 
do-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos perdoou”. 

Perdoar é a atitude certa para com nós mesmos. O homem é 
criatura de Deus, mas sòmente encontra seu fim e plenitude, quan- 
do se torna filho do Pai Celestial. E Jesus nos diz claramente: “Amai 
os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos 
torneis filhos do vosso Pai celeste”. 

A alternativa é tremenda; se não amarmos e perdoarmos, fa- 
talmente teremos de cultivar os sentimentos de ódio, vingança, res- 
sentimento ou mágoa. E os psicólogos nos ensinam que ódio, res- 
sentimento e mágoa são forças inibidoras da personalidade humana; 
são, portanto, nossos grandes inimigos. 

Jesus mostrou a relação entre perdão e saúde, na cura do 
paralítico. Antes de curar-lhe a paralisia lhe disse: “Tem bom 
ânimo filho; estão perdoados os teus pecados”. Tiago nos lembra 
da mesma relação, quando nos ordena: “Confessai, pois, os vossos 
pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados”. 

Perdoar é a atitude csrta para com nossos semelhantes. São 
Paulo escreve: “Se possível, quanto depender de vós, tende paz 
com todos os homens”. Não será possível viver em paz com todos 
os homens, se não aprendermos a perdoar. 

Vivemos num mundo de ódios e guerras intermináveis, porque 
os homens não querem perdoar. Sòmente há uma maneira de 
vencer o mal e Paulo nò-la apresenta nesta síntese lapidar: “Não 
te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”. 

Jesus nos perdoou os pecados e nos ensina a orar: “E perdoa- 
nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos 
devedores”. Nessa petição estão implícitas estas verdades: somos 
pecadores; Deus perdoa; e devemos perdoar os que nos ofendem. 


Agosto de 1957 


— 39 


Conta um biógrafo do célebre pintor Leonardo Da Vinci que 
durante a pintura do seu conhecido quadro: “A última Ceia”, o 
famoso artista brigou com outro homem e jurou-lhe vingança. 

Nesse estado de espírito, traçou a face de Judas, mas passando 
logo depois a pintar o semblante do Mestre, achou que não podia 
dar-lhe a expressão que idealizara, até que foi ao homem contra 
quem jurara vingança e fêz as pazes com êle. Somente depois de 
harmonizar-se com o seu adversário, conseguiu concluir o famoso 
quadro, dando a desejada expressão ao semblante do Mestre. 

Se quisermos compreender a Jesus e viver com êle, teremos, 
antes de tudo, de aprender a perdoar, não somente sete vêzes, mas 
setenta vêzes sete, indefinidamente, perdoar sempre. 



CRISTO — NOSSO AIO 

Durante uma das viagens da Rainha Vitória, um me- 
nino estava ansioso por ve-la. Resolveu ir ao castelo onde 
ela estava hospedada. Chegando lá disse que desejava avis- 
tar-se com a monarca. Interceptando-o, o sentinela lhe disse 
que fôsse embora; do contrário, atiraria nêle. O menino deu 
meia volta e começou a se retirar, embora com lágrimas nos 
olhos. Não havia caminhado muito, quando se encontrou 
com 0 Príncipe de Gales, que lhe indagou por que estava 
chorando. 

— “Desejo ver a Rainha e o soldado não me deixou”, 
respondeu o menino. 

— “Não deixou?!” disse o Príncipe. “Venha comigo e eu 
0 levarei perante a Rainha”. 

Tomando-o pela mão, conduziu-o à presença da so- 
berana. 

A Rainha, surprêsa, perguntou ao filho quem era aquêle 
pequeno visitante. Ao se inteirar de tudo, recebeu-o com 
todo carinho, e ao se despedir do garoto ainda lhe deu um 
presente em dinheiro. 

Como 0 Príncipe apresentou o menino à Rainha, assim 
Cristo leva-nos à presença do Pai. 

(Trad.) — Divulgação do S.N.A. 


CAIM 


Esta é a história de um ho- 
mem, que é também a história da 
humanidade. 

Caim. 

Primogênito de Adão, nascido 
sob os melhores signos, tanto que 
foi chamado Caim, que significa 
“Aquisição”. 

Talvez esperassem seus pais 
que lhe estivesse destinada a gló- 
ria de esmagar a cabeça da ser- 
pente . 

Mas aconteceu o contrário. 

Caim se constituiu num instru- 
mento do mal, concorrendo, dês- 
te modo, para aumentar a des- 
graça do mundo. 

O seu caráter começou a reve- 
lar-se quando os dois irmãos 
compareceram à presença de 
Deus para o rito do culto, pos- 
sivelmente à entrada do Paraí- 
so, onde arcanjos montavam 
guarda, e num dia de sábado, 
como entendem muitos que é o 
que significa a expressão “cabo 
de dias”, que aparece em Gên. 
4:3. 

O ato deveria processar-se, se- 
gundo cremos, de acordo com 
instruções que ambos tinham re- 
cebido através de uma revelação 
especial. 

Mas Abel “trouxe dos primo- 
gênitos das suas ovelhas e da sua 


gordura”, enquanto que Caim 
“trouxe do fruto da terra uma 
oferta ao Senhor” (Gên. 4.3, 4). 

Uma diferença que bem pode- 
ria ser sintomática: o primeiro 
teria sentido necessidade da ex- 
piação representada pelos ani- 
mais sacrificados; o segundo, 
não. Bastava-lhe uma oferta de 
gratidão, que consistia em produ- 
tos da terra. A consciência nada 
lhe dizia que o pudesse com- 
prometer diante de Deus. Cons- 
ciência embotada, já se vê. 

Ou então — como querem ou- 
tros — a diferença seria de outra 
natureza: Abel agiria sob o im- 
pulso do coração; Caim, por for- 
ça de um hábito ou de uma tra- 
dição. Em outras palavras: Abel 
era sincero e Caim, hipócrita. 

Seja como fôr, a verdade é que 
no dizer da Epístola aos Hebreus 
(cap. II, vers. 4) Abel ofereceu 
“maior” sacrifício que Caim, isto 
é, um sacrifício “mais completo”, 
que é como se deve entender o 
original. Mais completo porque 
nêle entrava o ato e a intenção, 
a bòca e o coração. 

Resultado: “atentou o Senhor 
para Abel e para a sua oferta, 
mas para Caim e para a sua 
oferta não atentou” (Gên. 4:4, 
5). 


Agosto de 1957 


— 41 


Transtornado pelo ódio, Caim 
deu vazão aos seus instintos per- 
versos, eliminando o irmão, que 
assim passou à história como o 
primeiro mártir. 

Por sua vez, Caim foi o primei- 
ro homem a carregar o pêso de 
u’a maldição. 

O pecado de Adão acarretou a 
maldição da terra; o de Caim, 
porém, acarretou a maldição do 
seu autor. 

“E agora maldito és tu desde a 
terra, que abriu a sua bòca para 
receber da tua mão o sangue do 
teu irmão” (Gên. 4:11). 

Então Caim teve mêdo. 

Mêdo de ter o mesmo destino 
que êle dera ao irmão. 

Mêdo de morrer. 

Mas quem iria matá-lo, se ou- 
tras pessoas não havia ainda na 
terra senão Adão e Eva? 

Engano . 

Outros filhos e filhas teve 
Adão (Gên. 5:4) Filhos e filhas 
que não aparecem no relato bí- 
blico porque êste só se preocupa 
em mencionar as linhas genea- 
lógicas mais importantes que de- 
rivam do primeiro casal. 

Quando nasceu Sete, o último 
filho de Adão mencionado na 
narrativa sagrada, tinha o pa- 
triarca 130 anos. Ora, é presumí- 
vel que durante êsse tempo ou- 
tros filhos e filhas lhe tivessem 
nascido vindo, pois, a crescer a 
família humana, a ponto de Caim 
temer pela sua sorte no meio da 
enorme parentela. 


Sendo assim, procediam os re- 
ceios do criminoso. 

Na antigüidade era comum que 
réprobos fôssem impunemente 
sacrificados, a título de vingan- 
ça. 

Era a justiça individual, sumá- 
ria, em curso mesmo entre os an- 
gos romanos, segundo nos conta 
Dionísio de Halicarnasso. A mes- 
ma situação de insegurança en- 
contravam certos criminosos en- 
tre os gauleses. 

Para que Caim não fósse víti- 
ma da fúria dos seus próprios 
familiares, o Senhor assinalou-o 
com um estigma, que não sabe- 
mos qual tenha sido. 

Dizer que foi um sinal prêto e 
que daí surgiu a raça negra é 
abusar da imaginação. 

Caim passou, pois, a ciganear 
pela terra, até que se cansou, es- 
tabelecendo-se com a família em 
uma localidade denominada No- 
de, onde construiu uma cidade, 
que chamou pelo nome do filho: 
Enoque. 

Uma cidade não é bem; seria 
antes uma fortificação, onde es- 
tivesse garantido das possíveis 
ameaças que sempre o tinham 
perseguido. 

Falando na família de Caim, 
surge a indefectível pergunta: 
quem foi a mulher de Caim? 

A pergunta nasce da presun- 
ção, a que há pouco fizemos re- 
ferência, de que, por êsse tempo, 
além de Eva, nenhuma outra mu- 
lher havia no mundo. 


42 — 


ÚNIT AS 


A resposta já foi dada. 

Adão teve filhas. A raça hu- 
mana proliferou. 

Caim casou-se, pois, com uma 
irmã ou — quem sabe — com 
uma sobrinha. 

Admitindo, como admitimos, 
que a humanidade tenha vindo 
de um casal, outra não pode ser 
a solução. 

Casamentos consagüineos só 
mais tarde é que foram proibi- 
dos. 

No mundu antigo tais uniões 
não se apresentavam como in- 
cestuosas. 

Entre os atenienses havia até 
uma lei que obrigava o irmão a 
casar-se com a irmã desde que 
esta, depois de certa idade, não 
encontrasse marido. 

Diz um historiador que Tutme- 
sis II, do Egito, casou-se com a 
irmã mais velha — Hatschpsut — 
que parece ter sido a princesa 
que tirou Moisés das águas. 

E Sara não era meia irmã de 
Abrão? (Gên. 20:12). 

Encastelado em Enoque, Caim 
foi 0 ponto de partida de uma 
civilização que tinha muito ou 
quase tudo do seu caráter. Ali 
se criou uma civilização sem 
Deus. 

Lameque, um dos seus descen- 
dentes, inaugurou o regime da 
poligamia. Pior do que isso: foi 
autor de um número maior de 
mortes do que o do seu famoso 
avoengo e disso fazia praça com 
revoltante cinismo: 


“Porque sete vêzes Caim será 
vingado, mas Lameque setenta 
vêzes sete” (Gên. 4:24). 

Outro descendente de Caim foi 
Jabal, que se distinguiu na vida 
pastoril. 

Ainda outro descendente, Ja- 
bal, foi 0 pai da música instru- 
mental, enquanto Tubal-Caim se 
consagrou como o primeiro arte- 
zão. 

Não há dúvida: exceção do pri- 
meiro, todos os outros muito con- 
tribuiram para o progresso da 
humanidade. 

Mas que progresso? Progresso 
material apenas. Progresso no 
plano horizontal. 

De nenhum dêles se diz que te- 
nha sido homem piedoso. 

Os piedosos ficaram do lado de 
lá. Não construíram cidades por- 
que foram peregrinos, e foram 
peregrinos porque “esperavam a 
cidade que tem fundamentos, da 
qual 0 artífice e construtor é 
Deus” (Heb. 11:10). 

Foi assim que Abel e Caim 
apareceram aos olhos de Agos- 
tinho, em “A Cidade de Deus”: 
“o primeiro que nasceu de nossos 
primeiros pais foi Caim, que per- 
tence à cidade dos homens, e de- 
pois, Abel, que pertence à cidade 
de Deus.” 

Não obstante, Caim tem admi- 
radores. 

Mais do que admiradores: ado- 
radores. 


Clarividência 

(Grace Noll Crowell — trad. de Hugo de Andrade) 

Se 'pudéssemos ver além do triste ambiente, 

Além das aflições, como Deus pode ver. 

Seríamos mais bravos — sabendo que o amanhã 
Nos reserva ventura, a mim como a você. 

Pudessem ver os olhos, através do pranto, 

A colina ideal que um dia galgaremos, 

Seriamos mais fortes, pondo uma esperança 
Na torva escuridão dos dias adversos. 

Se após um rude golpe, já nos fôsse dado 
Entrever, para diante, o suave caminho. 

Seríamos mais calmos, porque mais capazes 
De aprender as lições que os fatos nos ensinam. 

Deixamo-nos cegar por qualquer aflição! 

Qualquer súbita dôr nos sucumbe a tal ponto 
Que olvidamos a paz, o ânimo, a alegria 
Que, certo, reinarão de novo em nossas almas. 

(Do “Christian Herald; 


Revela-nos Iiineu a existência 
de um ramo da seita dos ofitas, 
denominado Cainita, em que 
Caim aparecia como objeto de 
culto. 

Mas, em verdade, não há mui- 
to que admirar nisto. 


Porque Caim é um símbolo da 
humanidade. 

Encarna-a nas suas misérias. 
Por isso, não lhe faltam adora- 
dores . 

Pobre humanidade! 

Rubens Lopes 


Hiiiiiiiiiiiiniiiiiiiiiiii[iiiiiiiiiiiii»iiiiiiiiiiu[]iiiiiniiii![3iiiiinniiit]iiiiiiiiiiiiE]iimimm[]miiMiiiiicii:iiiiiiiiiit]iiiiiiniiiit]iiiiiiiiiiií 

j FLAGRANTES DO MUNDO RELIGIOSO | 

f'.:iimiiic]iiiiiiiiimi]iiiiiiiiiiiic]iiiiiiiiiiiiE3iiiiiiiiiiiic]iiiiiiiiiiiic]iiiiiiiiiiiit]iiiiiiiimic]iimiiiiiii[]iiiiiiiiim[]m!imiiiic]iiiiiiii!iii^ 

W. J. Goldsmith 

o RÁPIDO CRESCIMENTO DO PROTESTANTISMO NO 
BRASIL, informa o bispo católico romano Agnello Rossi, é 
visto com graves apreensões pela hierarquia brasileira. Se 
a atual tendência persistir, avisa o bispo, o Brasil, “o maior 
país católico do mundo”, poderá tornar-se, dentro de poucos 
decênios, um grande país protestante. 

Em 1954, informa ainda o bispo, o Brasil tinha 2 milhões 
de protestantes, porém hoje, em virtude de suas atividades 
proselitistas, entre 4 e 5 milhões de brasileiros se acham 
direta ou indiretamente sob a influência protestante. Em 
nenhum outro país do mundo, afirma o Bispo Rossi, pro- 
grediu tanto o protestantismo nos últimos 20 anos. Conse- 
gue novos adeptos, não só pelos esforços de suas igrejas, 
m.as também, e particularmente nos meios liberais, através 
de instituições como a Associação Cristã de Moços e o Ins- 
tituto de Cultura Religiosa. Seu maior aliado no Brasil, 
conclui o Bispo, é a profunda ignorância religiosa do povo. 

DR. MARKUS BARTH, filho do afamado teólogo suiço Dr. 
Karl Barth e professor na Faculdade Teológica Federada de 
Chicago, manifesta-se alarmado com a crescente ênfase que 
certas igrejas estão dando a sacramentos, liturgia e formas 
ritualistas de culto. Falando na semana anual para minis- 
tros, no seminário, afirma que a abolição do batismo infan- 
til removeria do cristianismo “elementos mágicos.” 

DOS 1.886 “COLLEGES” E UNIVERSIDADES nos Estados 
Unidos, 744 são controlados por grupos religiosos: 474 são 
instituições evangélicas; 265, católicas romanas, e 5 judaicas. 


Agôslo dc 1957 


— 45 


AS “ASSEMBLÉIAS DE DEUS”, o maior grupo pentecostal 
nos Estados Unidos, informam ter mais de 1 milhão de 
adeptos (470.000 nos EE. UU. e 576.000 nos campos mis- 
sionários) . A denominação, uma das mais novas dos Esta- 
dos Unidos, foi fundada em 1914 e conta atualmente com 
7.900 igrejas e 14.000 ministros. 

63 IGREJAS FORAM CONSTRUÍDAS na cidade de Omaha 
{E. U.}, no decênio de 1947-1956. 

“O DEUS QUE E’ CULTUADO NO OCIDENTE CRISTÃO” 
é um ídolo chamado o padrão de vida” — Dr. Martin 
Niemõller. 

“DEPOIS DO CULTO DO DINHEIRO, o nacionalista é a mais 
exigente e anti-cristã das religiões pagãs dos nossos dias” — 
declara o Movimento pró-Cristianismo Social na França. 

RECENTE ENQUETE na Inglaterra, abrangendo 2.261 pes- 
soas, revelou os seguintes resultados: 14 por cento afirma- 
ram ter assistido culto no domingo anterior; 10 por cento 
estiveram em serviço; 28 por cento informam que vão à 
igreja uma ou mais vêzes por mês; 18 por cento, “de vez 
em quando”; 32 por cento, “nunca”. 

UMA EMISSORA EVANGÉLICA na ilha dinamarquesa de 
Bornholm, no Mar do Norte, e não muito longe da Alemanha 
Oriental, está sendo projetada pela sociedade da “Voz dos 
Andes ” 

O PRIMEIRO MINISTRO de Ghana afirma que continuará 
a receber missionários cristãos no país, (ex-Costa d’Ouro). 
Contudo haverá restrições contra certas seitas anti-sociais, 
como os “Testemunhas de Jeová”. 


46 — 


ÚN IT AS 


15.000 BATISMOS de pessoas de mais de 18 anos foram rea- 
lizados pelos batistas na Rússia em 1956. 

SUA MAJESTADE IMPERIAL HAILE SELASSIE consagrou 
o novo Colégio Evangélico Etione em Dobre Zeit, perto da 
capital, Adis Abeba. Acomodará 200 estudantes. 

OS POVOS DE LÍNGUA ARABE são visados pelo projeto 
de umia possante rádio-emissora de 100 Kw., prevista para 
funcionar dentro de um ano a partir da concessão de licença 
pelo govêrno de um dos países do Oriente Médio. Juntas 
missionárias interessadas fornecerão 250.000 dólares, e a 
emissora será construída e dirigida pelo RAVEMCO (Comité 
de Rádio, Audio-Visual, etc., do Concílio Nacional de Igrejas 
dos E. U.), em colaboração com o Concílio Cristão do Oriente 
Próximo, cuja sede é Beirut (Líbano) . 

OUTRA EMISSORA DE 100 Kw pretende RAVEMCO cons- 
truir nas Filipinas, na cidade de Dumagnete . 

OS MAORIS, habitantes indígenas da Nova Zelândia, de- 
claram-se impacientes com a lentidão do movimento em 
direção à eliminação das concorrências denominacionais . 
Afirmam que são os mais prejudicados pela “confusão das 
nossas divisões.” 


PROVIDÊNCIA” 


Êsse é o título do quarto folheto da Série “Inspiração”, 
que já está no prêlo. Procure estudá-lo. 


CERTEZA 


Há uma tendência natural dentro de nós que nos impele à con- 
quista da certeza em todos os domínios da vida. O doente quer ter a 
certeza de que o seu mal é curável. O estudante quer ter a certeza de 
que foi aprovado nos exames. A mãe aflita, quer ter a certeza de que 
seu filho, no teatro da guerra, ainda vive. 

E todos justificam e aprovam e acham possível êsse tipo de cer- 
teza. Quando se trata, porém, da certeza no domínio religioso, há os que 
negam sua possibilidade. Outros chegam mesmo a afirmar que tal coisa 
é vaidade, e absurda, e que só Deus possui êsse conhecimento da situação 
futura das criaturas. 

Pois nós afirmamos que qualquer pessoa pode ter, aqui e agora, 
a certeza de que possui a vida eterna. A Bíblia diz! “Estas coisas vos 
escrevi para que creiais no nome do Filho de Deus; e para que saibais 
que tendes a vida eterna” (I João 5:13). Isso é em"ático. E se não bas- 
tasse essa declaração, poderíamos citar uma de Jesus: “Na verdade, na 
verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquêle que 
me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas já 
passou da morte para a vida” (João 5:24). Veja-se o tempo presente 
do verbo: tem, diz Jesus. E não: terá, teria, é possível que tenha. A pa- 
lavra de Jesus é clara, certa e conclusiva. Que podemos ter a certeza está 
provado. Agora, resta saber como é possível obtê-la. Há três meios. Va- 
mos apresentá-los. 

Em primeiro lugar, a Bíblia faz essa promessa. A Bíblia é a pa- 
lavra de Deus. E Deus não pode mentir ou ludibriar ninguém. Há dois 
pronunciamentos nesse sentido. Eis o primeiro: “Todo aquêle que invocar 
o nome do Senhor será salvo” (Romanos 10:13). A promessa é esta: 
será salvo. Mas há uma condição: o que invocar. Se você, leitor, quer 
possuir a certeza da salvação aqui e agora, invoque o nome de Jesus, 
isto é, creia em Jesus como o seu Salvador. Ao anunciar o nascimento 
de Jesus a José, disse o anjo: “. . .e chamarás o seu nome Jesus porque 
êle salvará o seu povo dos seus pecados”. E eis o segundo pronuncia- 
mento: “Aquêle que vem a mim de modo algum o lançarei fora”, disse 
Jesus (João 6:37). 

Além da promessa da Bíblia, a certeza pode ser provada pelos 
frutos da nossa vida transformada pela graça de Deus. 


48 — 


ú N I T A S 


João diz (I João 3:14): “Nós sabemos que passamos da morte para 
a vida porque amamos os irmãos”. Como se pode ver há uma prova 
evidente de que uma criatura possui a vida eterna; é a sua atitude em 
relação aos seus irmãos na fé. O amor é o maior testemunho da posse 
da vida eterna. Quando êle opera em nossa vida, podemos ter a certeza 
de que possuimos êsse tesouro. 

Ilá muitos outros textos bíblicos do mesmo teor. Por exemplo, 
Paulo diz: “Quem está em Cristo, nova criatura é...” Se alguém pode 
sentir-se fiova criatura em suas relações com Cristo, pode igualmente, 
ter a certeza de que possui essa vida de Cristo. 

Prêso em Roma, vendo a morte aproximar-se, depois de uma vida 
longa de sacrifícios por Cristo, Paulo escreve: “Porque eu sei em quem 
tenho crido e estou bem certo que Êle poderoso para guardar o meu 
tesouro até o dia final” (II Tim. 1:12). E’ o grito de esperança imorre- 
doura de uma alma que sabe onde pôs a sua fé. 

Ilá, ainda, outro meio eficaz: é o testemunho que nos oferece o 
Espírito Santo, a terceira pessoa da trindade. Essa prova é inteiramen- 
te subjetiva, indizível por isso mesmo, mas que se manifesta por efeitos 
muito preciosos. Eis alguns: paz de espírito, esperança inamovivel sobre- 
tudo quando desce a tempestade, tolerância inexgotável, e muitos outros. 

E’ Paulo quem diz: O mesmo Espírito diz ao nosso espírito que 
somos filhos de Deus” (Romanos 8:16). E’ uma prova muito íntima. Mas, 
quando ela se manifesta, sente a pessoa os seus efeitos. Nasce, daí, 
uma convicção inabalável. Ainda que o mundo todo diga que não, a cria- 
tura afirmará que sim. A experiência é sua, e isso basta. 

Inúmeras pessoas seriam incapazes de explicar, devidamente, cer- 
tas doutrinas de sua crença mas elas afirmam possuir a certeza da 
vida eterna. E quando examinamos suas vidas, ficamos convencidos de 
que aquela convicção é operante. 

* * * 

O leitor já percebeu que a certeza é possível. E’ possível, aqui e 
agora, saber-se salvo para a eternidade. Se nossa religião não nos 
dá essa certeza para a vida eterna, de que vale ela? Nada, nem para 
a vida futura nem para a presente. Então, mudemos de religião. Não 
para abraçar outra. Para abraçar Jesus Cristo. Êle é a vida eterna. 
Aquêle que o recebe por um ato de fé, recebe a vida que nêle está. 

A certeza da vida eterna é um tesouro, o maior tesouro que pode 
a criatura possuir. Ninguém lho pode roubar. Porque êle é um dom de 
Deus e por êle mesmo conservado. 


COMO TORNAR-SE CRISTÃO? 


É muito difícil encontrar-se no Brasil, lioje, uma pessoa que 
não se considere cristã. Diz-se (jue o Brasil é um país cristão porque 
a maioria dos seus liabitantes professa credos cristãos. Dificilmente, 
porém, êsses cristãos sal)eriam definir o significado do tèrmo. Mais 
dificil ainda llies seria determinar o processo jjelo qual uma cria- 
tura se torna cristã. Pois é o vamos apresentar aqui. Para essa 
difícil tarefa teremos que nos valer de uma fonte autorizada. E (|ual 
seria ela senão a revelação escrita — a Biblia .Sagrada? Fm ho- 
mem ou uma instituição poderiam ser contraditadas. A Bil)lia. não. 
Vejamos, então, que tem ela para dizer-nos sôbre o assunlo. 

O texto sagrado que vamos tomar está regislrado no evan- 
gelho segundo João, capítulo primeiro, versos onze a treze: “Veio 
para o que era seu mas os seus não O receberam. Mas a todos cjuan- 
tos O receberam, deu-lhes o jxxler se serem feitos filhos de Deus; aos 
cjue creem no seu nome. Os quais não nasceram do sangue, nem da 
vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus”. 

A Bíblia declara, cm jjrimeiro lugar, cpie ninguém se torna 
cristão jjelo sangue. Vale dizer, pelo processo da beredilariedade. 
Se os pais de Felisberto c Margarida foram cristãos, não se pode 
dizer, só por isso, cpie Felisberto e Margarida sejam crislãos. 

Antigamente se acreditava cpie os caracteres achiuiridos eram 
transmissíveis pelo processo da bereditariedade. Hoje, não há cien- 
tistas sério que acredite nessa teoria. Ficou inteiramente demons- 
trado que os caracteres ad(|uiridos nunca são transmitidos. Se o 
fòsscm. estaríamos diante de situações embaraçosas como esta: Os 
filbos de um ])ai génio na música seriam génios igualmcnle; os fi- 
lhos de um ébrio seriam ébrios. A ciência não afirma tal processo. 
É precisamente isso o que diz a Bíblia: ninguém se torna cristão por 
hereditariedade. A vida religiosa é um caráter aihpiirido; é uma 
experiência individual. 

Em segundo lugar a Bíblia diz epie ninguém se torna cristão 
pela vontade da carne. Ninguém pode fazer-se a si mesmo cristão, 
como ninguém pode ser feito cristão pela vontade carnal, isto é, 
pelo impulso sexual. O apóstolo João insiste na nulidade de um 
processo humano para a produção da vida cristã. O tornar-se cristão. 


50 — 


Ú N I T A S 


diz êlc, não depende da vontade luiinana. \ão l)asta ([ue di^a uma 
criatura (jualcjuer: eu (|uero ser eristão! Seria realincnte inaceitável e 
incoin])reensivel (pie a vida espiritual fòssc produzida pela vontade 
humana, por mais pura cpie ela sc apresentasse. 

Km terreiro lugar a Bihlia diz cpie ninguém se torna cristão 
pela vontade de um homem. Isso significa (|ue ninguém nos jjode 
fazer cristãos. Mesmo a criatura mais santa dèste mundo não tem, cm 
si, o poder de ))roduzir cristãos. Imaginemos, ])ara argumentar ape- 
nas, (]uc algum homem fôsse dotado do poder de fazer cristãos. Por 
mais puro c reto que nos parecesse tal homem, pela razão mesma de 
ser homem apresentaria êle traços denunciadores da imperfeição. 
Bastaria êsse pormenor para desclassificar o homem que se apre- 
sentasse para essa tarefa. 

Como vemos, .loão repete um ponto de vista traduzido em 
vários aspectos. No fundo, o cpie êle nega é tpie a vida esi)iritual, se- 
gundo o padrão do cristianismo, possa originar-sc do j)róprio 
homem. 

.\gora, passa êle a uma afirmativa para a qual chamamos a 
atenção dos leitores: Diz êle que Jesus veio para os seus, mas êstes o 
repudiaram. líssa é uma referência aos judeus. Jesus veio, primeira- 
mente, para converter os judeus, o (pie é muito natural. Blc mesmo 
era judeu. Tendo sido rejeitado pclos seus, Jesus tornou-se uma 
dádiva universal. Todos podem tornar-se discipulos de Cristo. Mas. 
por cpie processo? É disso (pie nos fala o apóstolo: a todos quantos o 
rccchcram, deu-lhes Deus o poder de serem feitos filhos de Deus, 
isto é, cristãos. .Ser cristão é um privilégio que Deus concede a 
tôdas as criaturas. Logo se compreende que êsse privitégio é uni- 
versal cpiando João declara (uie se tornam cristãos, ou filhos de 
Deus, acpicles que creem no nome de Jesus. Partia o apóstolo de 
uma possihilidaile universal c comum a tôdas as criaturas: a ca- 
l)acidade de crer. Todos podem crer. 

Eis a solução divina: os que creem cm Jesus êsses se tornam 
cristãos. 

Ninguém se torna cristão senão pela fé cm Jesus, afirma a 
Bihlia com tôda a fôrça de sua autoridade. Essa fé consiste numa 
recepção de Jesus. “A todos quantos o rccchcram...” Quando a 
criatura humana, sem restrições, com o coração aberto, diz ao 
.Salvador: vem Jesus habitar comigo, em minhalma há lugar, ó vem 
já!, aí então se verifica uma experiência religiosa que marcará um 
novo rumo na sua vida. É uma experiência deslumhradora c trans- 


Agôslo de 1957 


— 51 


formadora, pela qual o homem vê desaparecer a vida vellia e re- 
nascer uma nova vida. É, como diz o apóstolo Paulo, uma experiemeia 
na qual tudo se faz novo. “Aquele que está em Cristo nova cria- 
tura é, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fèz novo”, 
diz Paulo. 

Cristãos são aqueles que nasceram de Cristo. São aíjuelcs que, 
como o Filho de Deus, morreram para o mundo e ressuscitaram para 
uma nova vida. Cristãos são aqueles que, tendo recepcionado Cristo 
no coração, seguem o Salvador e Mestre cm toda a caminhada. 

Meu leitor: és tu cristão? Nasceste cm Jesus? Tens uma 
nova vida? Se estás cm dúvida, medita na afirmativa da Palavra de 
Deus: a todos quantos o receberam, deu-lhes Deus o poder de serem 
feitos filhos de Deus, a saber, os que creem no nome de Jesus. 



O PROBLEMA SOCIAL 

Tudo 0 que obscurece, fundamentalmente, a natureza 
ética do problema social é prejudicial, proceda de uma teo- 
ria física ou psicológica. Qualquer doutrina que elimine ou 
mesma obscureça a função da escolha de valores e o as- 
sentamento de desejos e emoções a favor das coisas es- 
colhidas, enfraquece a responsabilidade pessoal para o ra- 
ciocínio e a ação. E assim, ajuda a criar as atitudes que 
acolhem e sustentam o estado totalitário, 


John Dewey 
Freedom and Culture 



o CORAÇAO HUMANO 

O coração humano foi feito para a palavra de Deus 
como a terra é feita para a chuva: quando a chuva desce 
sôbre a terra as flôres, os frutos, os cereais começam a bro- 
tar; e qiiando a Palavra de Deus cai no coração que a recebe, 
começam a florescer tôdas as virtudes que Deus quis que 
adornassem a vida humana. Sem a chuva a terra não pode 
garantir o crescimento da erva, e o homem não colhe aquilo 
de que necessita para a sua vida material. Sem a palavra 
de Deus no coração dos homens, ninguém pode esperar o 
florescimento da honestidade, sobriedade, bondade, mansi- 
dão, alegria, paz, e o amor. A cultura, a educação, a ilus- 
tração, um passado brilhante, dinheiro, um lar confortável, 
roupas caras, uma personoMdade atraente, nada disso pode- 
rá jamais substituir, adequada mente, a palavra de Deus. 
O homem foi feito para a verdade de Deus, e sem ela a vida 
humana está vazia, o coração nunca encontra descanso, a 
alma nunca está purificada, e o caminho que o homem 
segue nunca é de luz e de beleza. Mas onde a palavra de 
Deus age, age com poder. Elo. pode ser repelida, recusada, 
desprezada, negada, repudiada, pode ser escarnecida. Mas 
ela não perderá, por isso, o seu poder! Se ela não salva, 
condena. Se não faz o homem voltar-se para Deus, endurece 
0 coração humano contra Deus. Se não consegue que o co- 
ração humano ame a Deus, de um modo misterioso fá-lo 
blasfemar contra Deus. Com isso não afirmamos que a Pa- 
lavra de Deus faz o homem blasfemo. Mas é verdade que, 
aquele que ouve a palavra e a rejeita, sabendo que ela é a 
verdade, e que deve, por isso aceitá-la, não mais tal pessoa 
será a mesma, antes haverá de manifestar sempre o seu 
antagonismo à palavra de Deus. Â Rússia não só nega a 
palavra de Deus ao seu povo. A Rússia odeia a palavra de 
Deus, zomba dela, guerreio. conLra ela. Mas o poder da pa- 
lavra permanece o mesmo — por ela os homens se salvam, 
a tentação é vencida, a vontade de Deus é conhecida, pro- 
duz-se vida pura, o coração é purificado, as almas são ali- 
mentadas, os pés são guiados na luz, o coração contristado 
é confortado, e nesta palavra milhões põem a sua esperança, 
por ela regozijam-se na tribulação, e vencem a morte para 
cair nos braços divinos. 


A pêlo Poderoso 

Voltemos à exortação do texto. Deus diz a cada pecador: 
“Volta-te, volta-ie; por oue, pois, haverias de morrer?”. Mui- 
tos pecadores estão esperando que Deus jaca algo mais, 
além do que já iêz, para salvá-los. Fará êle? Sabes que êle 
o fará? Como sabes que êle fará? Durante todo o tempo em 
que estás esperando por êle, êle está esperando por ti. Êle 
te tem procurado pelos seus servos, dizendo-te: volta-te, 
volta-te; por que, pois, haverias de morrer? Essa insistência 
divina significa que estás no caminho da morte e pensas que 
tens boas razões para cojitinuar nesse caminho. Êle te diz, 
solenemente, que não tens necessidade de morrer porque êle 
quer possuir-te; êle não tem prazer na tua morte; nem 
ninguém tem êsse prazer, a não ser Satã. Não. Se tens razões 
para continuar no caminho da morte, elas devem ser tuas 
razões. E Deus te pergunta quais são elas. Põe diante da tua 
consciência a indagação divina: por que haverás de morrer? 
Toma a caneta, escreve essas razões pois bem pode ser que 
no correr dos anos tenhas que re-examiná-las. Eu gostaria 
de conhecer essas razões, e acredito que seria dx muito voJor 
que as examinasse mais atentamente do que tens feito. De- 
ves escrevê-la por extenso, com tôda a clareza para que pos- 
sas medí-las, estudá-las, e estimar seu real valor. Não que- 
res fazê-lo? Faze-o na quietude do teu aposento. Escreve-as. 
Ajoelha-te e apresenta-as a Deus. Dize: Senhor, fizeste-me 
esta pergunta: porque haverias de morrer? Aqui está a res- 
posta. Senhor, é porque não tens misericórdia dos pecadores. 
E’ porque nada fizeste para me salvar. Porque não posso 
deixar de continuar em meus pecados. E’ porque não posso 
me arrepender e crer. 

Um momento, pecador! Lê isso de novo diante de Deus. 
Há alguma verdade no que escreveste? O que escreveste 
resistirá a um exame da tua própria consciência? Poderás 
sustentar isso perante o Senhor? 


CHARLES FINNEY 



“AGOSTINHO” 

Autor: Huberto Rohden 

União Cultutral Editora — S. Paulo 

Uma nova edição do conhecido li- 
vro. E’ a terceira. Aqui o autor 
pisa terreno sólido. Faz história. 
Mas aparece, inevitavelmente, nes- 
sas páginas, a vocação mistica do 
autor. Aliás, a vida de Agostinho 
é um toma que assenta bem no 
autor. 

O autor procura aproximar Agos- 
tinho de Paulo. Aproximação for- 
çada, já se vê. Embora Agostinho 
tenha sido uma grande figura do 
cristianismo, é difícil emparelhá-lo 
com o apóstolo Paulo. Agostinho 
nunca chegou à experiência profun- 
da da graça salvadora de Jesus Cris- 
to como Paulo. Nunca teve êle aque- 
la confiança irrestrita na salvação 
operada por Cristo. Embora acre- 
ditasse nessa verdade, nunca a to- 
mou como experiência à semelhan- 
ça de Paulo. As obras de Agosti- 
nho estão longe de uma compara- 
ção com os escritos paulinos. A des- 
peito do seu acentuado misticismo, 


está Agostinho ainda envolto em 
um formalismo doutrinário um 
pouco distante da pureza e da vida 
do cristianismo neo-testamentário. 

Contudo, a obra é excelente e 
inspiradora. O que há de realmente 
notável em Agostinho é a sua mu- 
dança de rumos. E’ difícil, porém, 
enquadrar sua expeUência no tipo 
que conhecemos no Novo Testa- 
mento. 

O livro não tem índice. 

★ 

“IMPERATIVOS DA VIDA” 
Autor: Huberto Rohden 
União Cultural Editora 

Êsse é mais um punhado de me- 
ditações à moda de Rohden. Refle- 
tem elas a intensa e difusa espiri- 
tualidade do autor. 

São páginas agradáveis de ler. 

Êsse livro, já em segunda edição, 
assemelha-se muito a outro que 
obteve sucesso entre os admirado- 
res de Rohden: “De alma para 
alma”. 


Agosto de 1957 


— 55 


“DE ALMA PARA ALMA” 

Autoi’: Huberto Rohden 

União Cultural Editora — S. Paulo 

Aparece agora em 6A edição êsse 
livro do conhecido escritor. O sub- 
título diz logo que tipo de leitura 
temos pela frente: filosofia da vida 
para os que pensam e sofrem. Con- 
tudo, há mais no livro de misticis- 
mo à moda oriental que de filoso- 
fia realmente. Ou melhor, há uma 
filosofia à moda oriental. 

O livro reflete bem a experiên- 
cia do autor. Embora escrito há 
alguns anos, nesta nova edição apa- 
rece sem modificações, o que signi- 
fica que o autor mantém a mesma 
orientação. E’ uma alma tentando 
transmitir suas ansiedades a outra 
alma. 

Algumas páginas belas de lite- 
ratura. Carregadas de sentimento. 
Um misto de cristianismo e espiri- 
tualismo oriental. 

★ 

“BILLY GRAHAM” 

(The personal story of the man, his 
massage and his mission). 
Autor: Sanley High 
McGraw Ilill, Estados Unidos 

Êsse é o primeiro grande livro 
que tenta contar a história dêsse 
dinâmico evangelista de fama mun- 
dial. E’ difícil encontrar uma pes- 
soa hoje relacionada com as ques- 
tões religiosas, que não tenha ou- 


vido falar nesse jovem de 38 anos 
de idade. Tal o impacto que seu 
ministério está causando na socie- 
dade moderna, que já se levantaram 
as forças da oposição. Católicos, 
protestantes e comunistas. Todos 
se uniram para solapar a influên- 
cia dêsse homem de Deus. Dizemos 
católicos, protestantes também. Mas 
é bom entender: maus católicos e 
maus protestantes. Os comunistas, 
com razão. 

O livro não é uma biografia. E’ 
a obra que já realizou o evangelis- 
ta. E através dessa obra, surge c 
se agiganta a sua figura de homem 
consagrado a Deus. 

A leitura dêsse livro é tão im- 
pressiva que o melhor é recomen- 
dar aos leitores que façam a expe- 
riência. Porque é difícil dizer uma 
palavra sôbre o livro que possa dar 
dêle uma idéia completa. Cada ca- 
pítulo é um lance dramático do po- 
der de Deus na transformação de 
caracteres. 

A figura de Billy Graham é im- 
pressionante. Humilde, totalmente 
consagrado à sua missão, simples, 
sincero, profundo conhecedor da 
natureza humana e da mensagem 
divina para o homem dos nossos 
dias. Contra êle se levantaram os 
teólogos da esqueda e da direita . 
Fundameutalistas e modernistas . 
Todos são contra a obra de Billy 
Graham. Não é novidade. Mais uma 
vez os teólogos enam. Afastados 
dos problemas da experiência reli- 
giosa, olhando as coisas de suas 


56 — 


Ú N IT A S 


torres de marfiní, dificilmente acer- 
tam uma opinião. 

Todos são unânimes em afirmar 
que nesse notável evangelista o que 
impressiona não é a sua cultura, a 
sua desenvoltura oratória, nem 
mesmo a sua personalidade forte. 
O que impressiona nêle é o tom 
rcalmente divino de suas mensa- 
gens. Que são simples como êle. 
Êle fala com autoridade. 

O autor dêsse livro — Sranley 
Iligh — e figura de proa no jor- 
nalismo internacional. Atualmente 
é um editor do Reader’s Digest. Já 
por dezesseis anos faz dessa revis- 
ta um instrumento indispensávél de 
oultura geral. Isso basta para fazer 
do livro um informe seguro, cri- 
terioso, imparcial. 

★ 

“THE WAY TO POWER 
AND POISE” e 
“MASTERY” 

Autor: Stanley Jones 
Editora: Abingdon Press 

Encontram-se à venda nas livra- 
rias evangélicas êsses dois últimos 
livros do famoso escritor e missio 
nário. O segundo é mais recente: 
de 1955. Ambos escritos na mesma 
linha em que se especializou Stan- 
ley Jones. Já são vários os livros 
dêsse tipo. 

Nossa literatura devocional é 
ainda pobre. Alguns livros apare- 
ceram últimamente. Algumas ten- 


tativas que não chegaram a firmar- 
se. Fora de Rostagno, de Sundar 
Sing, de Toioik Kógwa, só mesmo 
Stanley Jones. Aliás Stanley é ori- 
ginalíssimo. Suas meditações são 
agradáveis, estimulantes, profun- 
das, e bíblicas. Seus livrinhos são 
uma fonte permanente de cultura 
religiosa. Segundo nos consta, são 
cinco os livros já escritos por Stan- 
ley Jones nessa linha. Os outros 
três são: How to be a transformed 
person — Growing Spiritually — 
The Way. 

Pena é que êsses livros ainda não 
foram vertidos para a nossa língua. 
Fariam um extraordinário bem a 
muitas pessoas. 

★ 

“EL MOVIMENTO ECUMÉNICO 
Y EL PROBLEMA RACIAL” 
Autor: W. A. Visser’t Hooft 
Publicação da UNESCO 

Temos agora em mãos êsse pre- 
cioso trabalho do Dr. Hooft. Como 
se sabe, Hooft é o secretário geral 
de um grande movimento escumê- 
nico das igrejas evangélicas. O tra- 
balho foi escrito por solicitação da 
UNESCO. Faz parte de uma cole- 
ção sôbre os aspectos do problema 
racial. 

O trabalho está dividido em duas 
partes: os fatos e os problemas. 

Na primeira, o autor expõe os 
antecedentes históricos da questão, 
estuda a posição das igrejas em 


Agosto dc 1957 


— 57 


face da questão racial nos Estados 
Unidos, na União Sul Africana, na 
Alemanha, e expõe o ponto de vista 
de algumas conferências ecumêni- 
cas nas quais a questão foi deba- 
tida. Na segunda parte o autor es- 
tuda a concepção cristã da raça, a 
existência de uma igreja supra- 
racial, o problema das igrejas étni- 
cas, e lança alguma luz sôbre o fu- 
turo dessa importantíssima ques- 
tão. 

O autor reflete, com muita felici- 
dade e com acêrto, a posição pro- 
testante em face do problema. 

★ 

“PSYCHOLOGIE ET VIE 
RELIGIEUSE” 

Autor; Edmond Rochedieu 
Roulet — Genève 

Mais uma tentativa de explicação 
dos fenômenos religiosos em têrmos 
de psicologia. 


A nosso ver, mais uma tentativa 
fracassada. 

Autores mais habilitados tenta- 
ram 0 mesmo no passado: Joseph 
Leuba (é verdade que em um tem- 
po em que a psicologia estava en- 
gatinhando), Halliday, Steven, 
Pratt, Gordon Allport recentemente 
(The individual and his religion), 
C. S. Gardner (The psychology of 
belief), ou mesmo o clássico Wil- 
liam James. Parece-nos que êle foi 
0 único, até agora, a elaborar um 
esquema psicológico para os fenô- 
menos religiosos. 

O sr. Rochedieu não conseguiu li- 
bertar-se dos preconceitos teológi- 
cos. Em conseqüência, há mais teo- 
logia que psicologia em seu livro. 

Os temas indicados nos capítulos 
são fascinantes, mas o conteúdo do 
livro decepciona um pouco. Eis os 
títulos: Psychologie et religion, 

L’inconscient dans la vie religieuse, 
L’autonomie morale et la vie reli- 
gieuse, Foi, doute et comversion, 
La prière, La conquète de la per- 
sonnalité. 

L. B. 


DRA. JUNIA MARINS DA SILVEIRA 

Moléstias de Senhoras, partos e operações 

Consultório: Rua 7 de Abril, 118 - 8.° - conj. 602 — Fone: 32-9664 

SÃO PAULO 


Kiqiieza, Cafiaspirina... e Fe]i<“iditde 


NOVA YORK, 16 (AFP) — “Os 
Estados Unidos têm o mais alto ní- 
vel de vida do mundo, mas não co- 
nhecem a felicidade” — exclamou 
ontem à noite, o conhecido evan- 
gelista Billy Graham, ao abrir, em 
“Madson Square Garden”, a “Cru- 
zada para Nova York”. 

Falando a 20.000 pessoas, Billy 
Graham declarou que não vinha a 
Nova York, “para instalar, nesta 
cidade, o Partido Republicano no 
poder, como o afirmam alguns”, 
mas para mostrar ao seu povo “o 
caminho que leva a Jesus Cristo”. 

“Os norte-americanos — afirmou 
— sonham com casas de campo, 
com garagens com dois automóveis 
e com um aparelho de televisão em 
cada quarto. Todavia, quando seus 
sonhos se realizam, nem por isso 
se sentem felizes, e buscam fugir 
à realidade. Tomam drogas calman- 
tes. Sua alma procura Deus, mas. 


êles preferem ingerir cafiaspirina”. 

Foi então que, num silêncio dra- 
mático, as luzes se apagaram atrás 
de Billy Graham que apelou para 
aquêles que, na assistência, “pro- 
curam Deus e sentem necessidade 
de Deus”. 

De todos os lados da sala imen- 
sa, velhos, homens e mulheres de 
certa idade, jovens, moças e rapa- 
zes se ergueram e se dirigiram 
para o jovem pregador. Então, 
“conselheiros” os guiaram para as 
“salas de conversão” anteriormente 
preparadas. 

Billy Graham declarou que nun- 
ca, em tôda a sua vida, conseguira 
“semelhante resposta” e que esta 
revelava que Nova York, sob a 
máscara do pecado, estava pronta, 
como Ninive, a ouvir as advertên- 
cias do céu. 

(Do “Estado de S. Paulo”, 17-5-57) 




ERROS TIPOGRÁFICOS 

Pedimos aos leitores que anotem os seguintes erros tipográficos 
da nossa última edição: 1) No artigo “Divórcio”: na pág. 4, onde se lê: 
aparecem ali anúncios de profissionais que se propõem a fazer viagens 
ao exterior, leia-se: que se propõem a fazer casamentos sem viagens ao 
exterior. 2) No mesmo artigo, na pág. 6, onde se lê: nós achamos que 
o problema, etc., leia-se: não achamos que o problema. . . 3) No rodapé: 
evolução ou criação, da pág. 17, onde se lê: a probabilidade de a vida 
se ter originado de um ascendente, leia-se: acidente. 


Guarda Bem o Teu Coração 

Interessante revelação foi feita pelo cardiologista norte- 
americano Lonis Katz, perante grande grupo de especialistas de 
diversos países nas Jornadas Médicas de Bruxelas, na Universidade 
de Bruxelas. Referindo-se aos problemas da cirurgia do coração, 
disse Katz: “Atrevo-me a predizer que os progressos nos próximos 
dez anos farão com cjue tudo o que se sonseguiu até agora pareça 
coisa de amadores”. Como cardiologista, disse que o futuro cia 
medicina está na cárdio-cirurgia, até onde isso é possível. Mas 
acrescentou: “yVntes de morrer, gostaria de ver o fim da cirurgia. 
O futuro real está nas investigações sôbre a prevenção das enfer- 
midades cardíacas, e nesse particular estamos apenas começando”. 

A Bíblia antecipou, de tantos séculos, até de milênios, essa 
conclusão recente de um cardiologista. O livro de Provérbios re- 
comenda, como medida preventiva: “Sôbre tudo o que se deve 

guardar, guarda o teu coração, porque dêle procedem as saídas da 
vida”. Não é isso medicina preventiva? Tantos séculos mais tarde 
Jesus faz o verdadeiro diagnóstico de tôdas as doenças que atacam 
a vida humana: “Porcjue do coração procedem os maus pensamen- 
tos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e 
blasfêmias” (Mateus 15:19). E acrescenta Jesus que são essas coisas 
que contaminam o homem. 

Mas o cristianismo não é apenas uma medicina preventiva. 
E’ a verdadeira cirurgia. Por ela Jesus faz a completa ablação do 
órgão afetado que temos e em seu lugar põe um novo órgão. Êle 
é o grande médico. 

A medicina, sobretudo, está fazendo aproximação muito im- 
portante entre seus conceitos e os ensinos de Jesus sôbre a vida 
humana. 

Faltou a Katz acrescentar que uma medicina preventiva deve 
orientar os doentes na prática do cristianismo autêntico, segundo 
está êle registrado nas páginas do Novo Testamento. Esperamos 
que os cardiologistas dêm êsse passo. Quanto a essa prevenção de 
enfermidades, Katz declarou: “estamos apenas começando”. 


ROMANISMO NA ITÁLIA 


William Hubbcn, jornalista americano e autor de vários livros, 
depois de uma viagem demorada na Itália e em outros países da Europa, 
escrevendo no excelente jornal THE CHRISTIAN CENTURY, do dia 5 
de junho dêste ano, dá-nos informações interessantes a respeito do cato- 
licismo na Itália. Afirma ê!e que, por mais estranho que pareça, alguns 
dos problemas gravíssimos da igreja aparecem na Itália. Quais são êles? 

Na última eleição os comunistas conseguiram sete milhões de vo- 
tos. Das trinta e três mulheres eleitas para o parlamento, dezesseis são 
comunistas. Entre os intelectuais há muita simpatia pelo marxismo. Mas 
êsse não é o único problema. Outro há que tem aspectos mais alar- 
mantes. 

Em 1875 a população da Itália era de vinte e sete milhões, e havia 
lá cento e cinqüenta e dois mil sacerdotes. Hoje a população é de qua- 
renta e sete milhões e só existem cinqüenta e nove mil sacerdotes. Se- 
gundo o autor que estamos citando, na Itália há falta de cinqüenta mil 
padres. Sem o preenchimento dessa lacuna a Igreja não conseguirá fazer 
os trabalhos que deseja. Acrescente-se ainda que a nobreza italiana que, 
tinha por norma despertar a vocação dos seus filhos para o sacerdócio, 
hoje mudou de idéia. 

Como se vê, os problemas religiosos do romanismo na Itália são 
gravissimos. O Sumo Pontífice da atualidade é reconhecido pelo seu 
talento e pela sua devoção à causa que abraçou, mas êle tem mais de 
oitenta e um anos de idade. Quem o substituir terá os mesmos dotes 
que êle tem ? Êsse é mais um problema que demanda a atenção dos di- 
rigentes da igreja. 

MORAL NA FRANÇA 

0 Dr. André Lamorte, que foi Deão da Faculdade de Teologia de 
Provença, na França, escrevendo no jornal CHRISTIANITY TODAY, 
de 24 de junho dêste ano, dá como característicos do seu país, a França, 
a indiferença religiosa, o ateísmo, o aumento dos males sociais e das 
doenças da mente. 

Numa população de quarenta e três milhões, de acordo com as 
últimas estatísticas, aparecem menos de dez milhões que se apresentam 


Agosto de 1957 


— 61 


como adeptos de qualquer religião. Entre êsses, nove milhões foram 
I batizados na Igreja Católica Romana e oitocentos mil são protestantes. 

I Três quartos da população ou trinta e três milhões de pessoas vivem 

fora das igrejas. 

Os males sociais crescem assustadoramente. Antes de 1914 havia 
uma média de trinta e cinco mil divórcios anualmente. Hoje êsse número 
eleva-se a duzentos e cinqüenta mil. Se contarmos os que estão divor- 
ciados, mas não o foram por sentença judicial, o número elevar-se-á a 
trezentos e cinqüenta mil. 

O alcoolismo é um estigma na vida nacional. De acordo com as 
estatísticas oficiais, a França tem quatrocentas e cinqüênta mil casas 
que vendem bebidas. Uma casa para cada oitenta e seis pessoas. Dez 
vêzes mais casas que vendem bebida do que padarias. 

Em 1951 a França produziu um bilhão, duzentos e setenta e seis 
milhões de galões de vinho; quatrocentos e oitenta e quatro milhões de 
aguardente; e cento e setenta e seis milhões de cerveja. A média de 
consumo anual psr-capita é maior do que a de todo o resto da Europa. 

Entre a população pobre que vive precariamente em habitações 
sem conforto, generalizou-se a idéia de que o álcool distrai e suavisa as 
apreensões causadas pelos salários insuficientes. Há também a idéia de 
que beber muito é sinal de fortaleza física e de que o álcool é até ne- 
cessário para a saúde perfeita. 

Em 1940 a população dos hospícios elevava-se a cento e dez mil. 
Durante a guerra, uma legislação especial reduziu muito a distribuição 
de álcool e baixou o número de alienados. Mas desde 1945 está crescendo 
; de novo proporcionalmente ao aumento do número de casas onde se ven- 
I dem bebidas alcoólica. 

A delinqüência juvenil é uma das provas da decadência nacional. 
Ilá mais de cem mil delinqüentes. Quase todos de famílias onde só co- 
nheciam disputas, vício, violência e injustiças. Também contribuem para 
I 0 aumento da deliqüência o alcoolismo e a sífilis. A tuberculose aumenta 
j o números de suas vítimas. Como estamos vendo, os males crescem 
I assustadoramente. Acrescente-se a tudo isso a contínua instabilidade po- 
I lítica e ver-se-á logo que o futuro daquele país não é muito sedutor. 


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